sexta-feira, 2 de novembro de 2012


Madrugada de sexta-feira, 02 de Julho de 2010 Sabermos reconstruir a vida dentro de nós próprios como ela é; eis o segredo de viver e de com a vida nos preenchermos.

Sei que a tua dor é grande, minha querida, porque só pode ter o tamanho da minha incompreensão dela, que é enorme.
(por acaso é bonito, o que escreveste)
Eu sei que sou magnífico, amor.


Madrugada de sábado, 03 de Julho de 2010 O Brasil de fora a escorregar pelo ácido sumo da “laranja mecânica”. 2-1 depois de terem estado a ganhar, foi o que os brasileiros levaram para casa sem perceberem o que lhes aconteceu. Bem dizia eu para se atentar à Holanda… e à Alemanha, que amanhã terá uma espécie de ante-final com a Argentina. Será aí que veremos a fibra de “El Pibe”. Nem sei o que prefiro. Futebol por futebol, que ganhe a Argentina, para além do tudo o resto que se passa neste mundo, também às mãos dos germânicos. De resto como sempre.
Já o Gana, a última das nações africanas em prova, soçobrou após prolongamento e pontapés da marca de grande penalidade, contra uma maior disciplina e clarividência dos jogadores uruguaios. O resultado nada teve que ver com a “sorte dos penaltis”, essa é que é a verdade.

Termino a leitura de “Operação Barbarossa II – para Leninegrado”, de Robert Kirchubel e inicio na continuidade de mais uma madrugada branca, o “Hitler desafiado em Moscovo, de Robert Forczyk, com ilustrações de Howard Gerrard.
Depois dos exércitos de invasão do Sul (sudeste e Balcãs), do Norte (Países Bálticos e Leninegrado), agora, segue-se o do Centro (a caminho de Moscovo).
É incrível como o “pequeno” exército do Eixo, face ao “monstro” soviético bem poderia ter ganhado esta guerra, e mais incrível ainda como a perdeu.
Na exploração do tema geral da II Guerra, esta bem está a ser uma das fontes de informação mais importantes desta minha dedicação desde há, talvez,  30 anos para cá. Não se trata apenas de uma questão de pormenor da informação. É que – e não sei aqui se até não se tratará de fruto da idade – tem-me sido possível descortinar os níveis de dor e sofrimento de combatentes e civis mais do que qualquer outra leitura anterior, ou visionamento de série televisiva. Têm sido diferente, até porque estes textos narrativos não abordam os documentos coevos, para além das fotos incluídas que, diga-se, não têm a preponderância que eu lhes daria em termos de mancha no conjunto das páginas.


Sábado, 03 de Julho de 2010 - A Argentina inapelavelmente batida pela Alemanha, nestes quartos-de-final de um Campeonato Mundial de Futebol que pertence aos humildes. A esses porque o espectáculo futebolístico nunca ficou entregue às estrelas, antes pelo contrário. A selecção alvi-celeste jogou o que os seus jogadores, designadamente, conseguiram jogar. Já a turma teutónica jogou aquilo que o seu colectivo produziu, eficazmente e sem rodeios.
Quando a estrela da companhia Ballack desaparece da equação dos onze, todos os outros aumentaram a sua importância, ganhando com isso o conjunto. Neste jogo em particular, quando subiam, o bloco desmultiplicava-se por vezes quase desdobrando o onze. Quando defendia, os jogadores pareciam crescer em altura. Todos os golos surgiram com naturalidade, quer aqueles do ataque organizado, ou os outros do contra-ataque rápido.
Este não foi um mau resultado para o mundo. É que há que saber ler que, à medida da selecção francesa campeã da Europa e do Mundo, esta é multiculturalmente constituída, com grande evidência para os jogadores de ascendência “de Leste”, da Turquia e até… negra. Isto é Deus a escrever direito por linhas tortas.
Pessoalmente também é gratificante. Muito tenho apostado nesta Alemanha que já provou ser superior à de há quatro anos, sem que ninguém até agora ainda tenha dado por isso. Têm-me sorrido, quando falo numa Alemanha 2010 campeã. Aconteça o que vier a acontecer, já não sorrirão mais, assentirão sérios como que se tivesse sido sempre esta a opinião dominante.

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