domingo, 23 de setembro de 2012


Madrugada de sexta-feira, 25 de Junho de 2010 A Itália de fora dos oitavos de final deste Campeonato do Mundo! Num jogo que lhe bastaria o empate para assegurar a passagem à fase seguinte, eis que perde por 3-2 com a… Eslováquia, falhando naquilo cuja eficácia fez este país famoso pelo seu futebol: a sua defesa.
Este desfecho era “impensável”, nas palavras dos comentadores profissionais. Eu, não deixo de pensar nessa palavra, também aplicada a Portugal e que vai ter o seu jogo final do qual só necessita um empate para passar aos oitavos. Só que o Brasil, que connosco se vai defrontar, não é propriamente a Eslováquia… nem nós somos os italianos, claro está, por mais Ronaldo que possa haver…

Uma entrevista na Escola de Jornalismo vai levar-me amanhã ao Porto. O encontro com responsáveis da escola talvez aconteça durante o jogo (a espiga!), mas incomodado estou é porque falei com A. e D., com quem procurei marcar encontro, e posso, ainda assim, regressar sem ter tido, sequer, essas companhias. Se calhar até nenhuma delas e é por isso que mantenho este coração sempre tão lento, para que não bata demasiado e acabe comigo.

Avanço já a velocidade de cruzeiro neste “Porque é que o seu mundo vai ficar muito mais pequeno”, de Jeff Rubin. Vejo-o como um exercício interessante, essencialmente académico, quase diletante. Porque faz tábua rasa de toda a inventividade humana, reduzindo a sua actividade a uma dependência do petróleo em toda a linha, como que se não pudesse haver novas fontes energéticas globais, sendo esse o caminho que já estamos a percorrer.
No imediato, creio que a perda da mão-de-obra escrava por parte das antigas sociedades e das mais recentes economias esclavagistas, foi um choque que teve mais impacto, no tempo, do que aquele que poderá sobrevir, num futuro mais ou menos próximos, com o progressivo esgotamento das actuais jazidas de “ouro negro”, seja ele o light crude das areias sauditas, sejam as areias betuminosas do Canadá ou do Orinoco.


Madrugada de sábado, 26 de Junho de 2010 Tanto para escrever (para dizer, conversar, ouvir, fazer, produzir, restar, estar e contemplar) e tão pouco tempo…

Terá M. impedido o duplo encontro (ou encontro um apenas), aí residindo os diferenciados não de A. e D.? Interessa, mesmo que a reunião não tenha tido lugar no sítio e à hora marcada, para passar para a lua seguinte.
Antecipei o desastre e tristeza, mas os Hortos salvam-me sempre da última, onde fiz correr e aspergi a água sobre os meus rebentos, cada vez mais filhos de Plutão deliciosos, comidos e ofertados ao sacrifício último.
Passeio, jornais, leitura, café, visita ao canto de baixo e futebol entre irmãos; depois a viagem pedalada de encontro à terra e a amigos, os sacos cheios trazidos para casa e a dádiva fresca da terra à família; mais trabalho e organização de pontas soltas; mais tarde, em fim de dia, na noite cerrada, o Eurochannel da minha salvação e Jean La Fontaine, em Francês, encontrando ainda Racine, Molièrie, Colbert e Luís XIV.
Salvo-me pela perseverança correndo a maratona da vida, esgotando os segundos de todos os minutos, preenchedores das horas dos meus dias.

Empate sem golos no jogo de irmãos falada em português, mas com muito sofrimento luso, menos brasileiro. Empate português a saber a vitória, empate brasileiro a cheirar a derrota, essa a diferença. Mas mesmo sem golos apontados, creio que provámos que é possível marcar a esta equipa do Brasil, pejada de traçados enormes a saber a bouncers.
Não posso deixar a nota à derrota dos Estados Unidos com o Gana. Uma das mais pequenas nações africanas colocou de fora da competição o mais poderoso país do mundo. Haverá paradoxo? Não, nem pensar, trata-se apenas do equilíbrio das próprias coisas pela inefável mão de Deus, bem revelada na concretização das coisas deste mundo.

“Operação Barbarossa II: Para Leninegrado”, por Robert Kirchubel com ilustrações da dupla Howard Gerrard e P. Dennis. A única guerra que Hitler quis e a mais selvagem do mundo moderno travada na Europa. Entro hoje nos campos gelados da morte.

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sábado, 15 de setembro de 2012


Madrugada de quarta-feira, 23 de Junho de 2010 A França em choque, eliminada do Mundial com apenas um golo marcado, no jogo de hoje, com os “Bafana Bafana” da África do Sul, equipa anfitriã, com quem perderam por 2-1.
No final, o treinador francês recusou o aperto de mão oferecido por Carlos Alberto Parreira, o brasileiro que guiou os sul-africanos nesta aventura e que acabou por segurar o gaulês firmemente pelo casaco. O mundo inteiro viu o mau perder de Domenèque. A França pede responsabilidades e acusa a equipa de serem os “filhos de segregacionismo”, mal-educados, irresponsáveis e outros que tais. Mas o problema vai bem mais fundo.
Mormente a vitória, a equipa da África do Sul foi eliminada. Não interessa, a alegria daquele país (e de toda a África), continua. Pela primeira vez, em dezasseis anos de pós-apartheid, nacionais brancos e negros festejam juntos. Só o desporto (aquilo que manteve ambos os blocos em contacto durante a Guerra Fria) permite isto!

E a Argentina voltou a ganhar, desta vez à super-defensiva Grécia de Otto Rehagel por 2-0. E aquele Maradona “que, como treinador é um bom jogador”, é a nossa alegria neste Mundial. Até aquaplaning faz frente à cabine da equipa técnica, de fato completo vestido…

Boa surpresa recebi hoje através do jornal de paróquia em que me estreei este mês: honras de primeira página à coluna “As Reflexões de Pater Calvus”. Mas o “bandido” do padre truncou o meu logótipo e assinou o artigo com o meu nome. Cristo bendito!!


Madrugada de quinta-feira, 24 de Junho de 2010 Chama-se Marta e foi comentadora convidada do programa “À Noite o Mundial”, na RTPN. Sentiu-se ao longo de duas horas a testosterona do jornalista e dos restantes convidados; até do universo blogger que participa todas as noites. Ela, comprida, esticada, empertigada e assertiva, acertou sempre nos seus comentários, contornando o erro, destacando-se na análise. Presumo que de alguma maneira tornou, pelo menos durante aquelas horas, Portugal mais igual nos géneros. Mas nunca porque masculina. Feminina sempre, soube explicar porque não gosta de Carlos Queiroz como treinador, indo de encontro à minha opinião. Bom treinador “de campo”, na organização técnico-táctica, mas sob o chapéu-de-chuva de um velho terrier como Ferguson, que nos seus silêncios consegue ser mais musculado do que Queiroz nos seus discursos.

Quase todas as equipas africanas já ficaram de fora da fase seguinte, a de eliminação. Os Estados unidos, sob o olhar emocionado de Bill Clinton, carimbaram o passaporte já em fase de descontos. A Austrália também já passou. E as inglaterras, as holandas, as itálias e as alemanhas, que toda a gente tem esquecido a favor dos brasis, uruguais e espanhas, à conta dos empatezinhos e das vitórias por um golo de diferença, também já lá estão todas, com certeza para seguirem até, pelo menos, as meias-finais, ou muito perto; para a taça, por fim, ir parar aos mesmos sítios. Meto aqui no meio um Portugal inspirado e a Argentina, que apetece ver jogar todos os dias.

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sexta-feira, 7 de setembro de 2012


Madrugada de segunda-feira, 21 de Junho de 2010 A propósito desse, este Livro do Pastor. A sua leitura aconchega-nos a alma. O seu léxico simples torna-nos crianças de novo. A linearidade da narrativa, consolida-nos ideias. Tudo nele é um encanto, literalmente. Cada capítulo uma lição de vida que serve a todos e a todas as idades. Não podia ter-me surgido em melhor altura, estava a precisar disto.

Nota à revista “Exame” de que recebi este mês o primeiro número, de seis meses de assinatura oferecida por um banco, e que chegou com seis meses de atraso. Gostei das principais reportagens desta edição, mas o conjunto parece-me fraco. Tudo muito sobre este ou aquele empresário, mais os seus supostos sucessos, estratégias e outros que tais. Leio o que dizem, aprecio as fotos e suscitam-me vulgaridade. Até de barba mal desfeita se mostram, com maus nós de gravata, sentados de lado em cima de mesas de trabalho. Faz-me lembrar o programa da RTP “Liga dos Últimos”, dentro da medida em que ali se exibe o Portugal profundo. E este é feito de muita vulgaridade, lugares comuns e parolice. Enfim, somos o que somos, aquele povo que anda a roubar antenas dos automóveis uns aos outros…

Mas já cá faltava: goleámos a Coreia do Norte por 7-0 e assim prosseguimos a nossa história nos mundiais de futebol. Ronaldo, que não marcava pela selecção desde Fevereiro de 2009, quebrou o enguiço e marcou, num golo “tonto”, nas palavras alegres de Paulo Futre, outro excelente da nossa selecção de há uns bons anos.
E comovi-me com aquele golo esquisito que lhe fez saltar a bola num ressalto das costas para a cabeça, daí para a frente dos seus olhos até o pé se chegar imediatamente à frente para marcar. O rapaz merecia-o. E nós também.
Mas não deixei de ficar com uma profunda pena daqueles norte-coreanos, saídos da Idade Média, com seu o treinador nas conferências de imprensa a tecer loas ao “chefe”, sob o olhar atento dos cães do regime do ditador que reina sobre a fome dos seus súbditos. Até as suas expressões são diferentes da do comum dos mortais livres. Cada tento que sofriam, sofriam mesmo, com o semblante de um agricultor que vê as suas colheitas devastadas pelo fogo, ou do criador que vê o seu gado a morrer à sede. Acreditavam mesmo que podiam vencer e vingar a derrota de 66. Nota ainda para o facto de vários jogadores terem aproveitado a saída fora de portas para não mais voltarem. Temo agora pelas suas famílias.

À noite acompanhei como costumo, entre notas, os comentários dos actores do desporto nacional. Vários desportistas, do hoje e do ontem, vão rodando, dia após dia, na apreciação aos lances e incidências dos jogos. Tudo bons rapazes, que amamos, mas a questão da língua, oh, a questão da língua, faz muitas das vezes aquilo parecer também “a liga dos últimos”.


Madrugada de terça-feira, 22 de Junho de 2010 Os deveres para com a terra obriga-nos a pagar tornas. Lá trabalhei mais de sete horas, regressei com o sol-posto, passa das quatro da madrugada mas encontro-me ainda energizado. Adormecer vai ser igualmente trabalhoso. Também porque as lições que retirei do programa de debate “Prós e Contras”, na RTP1, sobre o Estado de Portugal, da Europa e do mundo, são arrebatadoras, ou não tivessem sido os mestres das controvérsias em questão Mário Soares, Boaventura Sena Santos, Ângelo Correia… e António Vitorino, vá lá. Tudo digno de menções escritas aqui, mas não hoje, que ainda me falta a leitura do João Pestana.

A bem de ver, estas epístolas a mim próprio que nunca reli. Um trabalho a que já me impus várias vezes, mas nunca cumprido. Estou numa antecipação crescente, mas, às tantas, a surpresa só o será bastante mais tarde.
Aqui, aguardo-me.

Ainda, mais dois volumes recebidos da colecção da II Guerra. Continuamos, eu e os livros, pela Rússia invadida. Amanhã iniciarei o próximo.

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sábado, 1 de setembro de 2012

    
Madrugada de domingo, 20 de Junho de 2010 Bem vistas as coisas, o problema dos livros é que acabam; por isso esta “Terra & Livros”, que não terá fim. Pelo menos enquanto eu cá estiver.
Hoje terminei o “Jack Kerouac – Biografia”, de Yves Buin. Fi-lo durar o que pude e ainda esperei um par de dias para ler a notas finais e os anexos. Tão cedo não haverá obra em que me projecte tanto.
Agora, pego n”O Livro do pastor” de Joann Davis que garante em contracapa que “… por vezes o tesouro que procuramos esteve sempre dentro de nós”. Um pequeno ridículo do pessoal do Marketing, mas o que deste espero é muito mais do que isso. Se mo der, referirei mais.
Também pego a duas mãos, de Jeff Rubin, o “Porque é que o seu mundo vai ficar mais pequeno”, que procura relacionar o preço do petróleo com o suposto fim da globalização. Há coisas que já não voltam para trás em normais condições, mas o empenho do amigo que me meteu na livraria para o comprar e oferecer, faz merecer bem a minha leitura, outrossim porque tudo tenho a ganhar, evidentemente. E cheira-me que é daquelas coisas que leio em três tempos. A ver vamos…
É tudo isto a produtividade, com leitura dos jornais de manhã, filme na primeira metade da tarde, trabalhos agrícolas na segunda, resumos do dia futebolístico e noticioso à noite, e estreias na leitura de madrugada. O resto é que vai menos bem, tirando o esforço de trabalho que, insistindo, resulta sempre.


Domingo, 20 de Junho de 2010 Realmente a vida é uma sequência isostática, sempre com conta, peso e medida. Depois daquela leitura tremenda de sexo, drogas e literatura (ainda Jazz, delirium tremmens e morte, o que daria um bom título), este “Livro do Pastor” que me aquece as mãos e a mente na sua simplicidade e vidência. Que coisa linda. Se ainda há pouco li do desvario destrutor, agora embala-me a sensatez edificante.

José Saramago foi a enterrar, no cemitério do Alto de S. João, em “cerimónia privada”, sob fortes aplausos. Não, minto, foi cremado. Há cravos e a reportagem fala de 400 e 500 pessoas. Terão sido as suficientes. Eu por cá fico a pensar que lhe foi atribuído um Nobel. Não deverá ser trasladado para o Panteão Nacional? Mas o Presidente da República não esteve presente – apesar das presenças dos “Ex” Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio –, minimizando o facto.
Imediatamente, ligo o conteúdo das entrevistas, reportagens e memórias transmitidas por ocasião do seu falecimento, enquanto leio as últimas páginas da biografia de Jack Kerouac. Quem ouve estas notícias, fica a saber bem do processo de polémica que se viu envolvido (e se envolveu); tal como Kerouac, bem evidenciado neste livro biográfico. Mas falta algo comum a ambas as coisas, nas notícias de anteontem, ontem e hoje e o livro que agora termino. Há muito pouco sobre as obras propriamente ditas. E, em última análise, acerca dos homens e do que os determinou.

Ouço Medina Carreira, em programa reposto que gravei para I. ouvir, e ouço coisas fundamentais. Entre outras, que não temos os meios para criar riqueza. Fala de pontualidade e organização. Ainda há menos de um ano eu o dizia a um pintor septuagenário. Dizia-lhe que, a propósito da crise económica, que não tínhamos meio de sair disto. Não quando nem sequer somos capazes de chegar a horas, quer seja para o trabalho, quer seja para um encontro lúdico com um amigo.

Em fim de tarde (que para mim é pelo telejornal da “dois”, pelas vinte duas horas) reitero a minha teorização da isostasia feita ontem. Quanto pior me é um lado, mais faço pelo outro.

O “L’osservatore Romano” foi demolidor para com José Saramago. Ligado aos saneamentos de jornalistas do “Diário de Notícias” – não-alinhados com a corrente comunista que assolou os órgãos de comunicação social no período do pós-25 de Abril, jornal nacionalizado para onde foi designado director –, o escritor foi acusado pelo Vaticano, através desse seu órgão oficial, pelo punho de um jornalista (Cláudio Toscano), que o acusa de “populista extremista”, lembrando que esqueceu “a memória do ‘gulag’, das purgas, dos genocídios, dos ‘samizdat’ culturais e religiosos”.
Durinho, o tipo, tão duro quanto Saramago foi para com a igreja Católica, cada vez mais e à medida que a idade progredia, sabemo-lo. Excepções como aquela feitas, já não direi o mesmo do pensamento cristão.

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