Madrugada de domingo, 05 de Setembro de 2010 – Vimos mais dois filmes europeus e pergunto. Onde estão eles que já vão por terras do Brasil? (e que bem os tratam). Para onde foi o florilégio que ainda tive na minha meninice? Porquê esta alienação às produtoras americanas, se nem sequer os espanhóis o fazem? Nem os ingleses! Os franceses nunca, assim como os italianos. Eu sei, estes últimos têm muita produção nacional, mas, pergunto, porque é que deixaram de estar connosco?
Isto é uma facada nas nossas próprias costas. E tão melhores, são as velhinhas películas europeias. As de ontem, de há bocado e (ainda) as de hoje.
O nome era “O Velho Amable”, baseado na obra homónima de Guy de Maupassant, esse eterno das crónicas de costumes, só ele mesmo um manancial para os nossos mestres da claquete, fora todos os outros.
Onde anda este povo, que já não sabe o que há?!
Por sobre tudo isto, as rentrées políticas. Mais atenção aos comunistas e à sua Festa do Avante, porque normalmente mais interessante. A encerrar a festa, uma hora da arenga do líder, fechada com “vivas”. Os três últimos, “aos militantes do Partido Comunista, à “Juventude Comunista” e ao Partido Comunista Português”. À réplica do de sempre, nada para os restantes Portugueses e nada para Portugal. É este, o problema.
Madrugada de segunda-feira, 06 de Agosto de 2010 – Vá lá, encontrei uma solução de compromisso para a rega à moto-bomba. Vou sacando regadores enquanto aguo as hortas. Mas ainda não foi hoje, porque estive a dar luta às daninhas com o moto-roçador. Moto-isto, moto-aquilo… Sinto-me a fazer batota. Mas vale o templo de contemplação, que muita falta me fazia.
Madrugada de terça-feira, 07 de Setembro de 2010 – Foi esta segunda-feira, a minha rentrée deste ano e já sigo de vento em popa. Hoje, de tudo um pouco, a terminar na Redacção depois das 21h00. Escrita, arquivo, telefonemas, várias saídas, contactos pessoais, compras para os dois apartamentos e compromissos marcados já para o dia seguinte. Que não perca a forma e a disposição, bem preciso de ambas.
Gosto dos franceses porque acredito que gostam de Cultura. Penso-o enquanto vejo “Inglorious Bastards”, a última realização de Quentin Tarantino após um interregno de quatro anos.
E este António Banderas é um portento de um actor que me enche de orgulho ibérico.
Madrugada de quarta-feira, 08 de Setembro de 2010 – Depois do visionamento de um documentário sobre a vida e obra de Ugolini, “O Arqueólogo de Mussolini” – uma alma condoída em corpo ferido precocemente terminado aos 41 anos de idade sem riqueza nem glória (antes pelo contrário), quase obliterado pela História – o final da leitura da aventura romanesca e trágica
“O Grande Assalto dos Comandos em St-Nazaire”, com texto de Ken Ford e ilustrações de Howard Gerrard. Que episódio heróico e mirabolante! Como a realidade ultrapassa qualquer ficção; que roteiro de filme de aventuras de guerra excelente. Tem de o haver. Devo-o ter visto, pena não me recordar.
Agora, “Bombas sobre Tóquio: Estados Unidos Contra-Atacam”, na narração de Clayton K. S. Chun e ilustrado pelo já habituée Howard Gerrard. Que aprender mais sobre as anteriores leituras e o filme visto repetidas vezes?...
Madrugada de quinta-feira, 9 de Setembro de 2010 – Disse-lhe que a propriedade (fugaz, como a nossa vida) da terra nos engrandece. Na passagem do debate sobre as dificuldades profissionais criadas pelos energúmenos desta vida, que nunca deixam de o ser, a conversa caiu aí. Que a terra chegando-nos mais ao chão da vida, literalmente, nos colocamos mais perto dos céus; porque suavizando-nos as ansiedades eleva-nos a calma e as placitudes, fazendo-nos chegar um pouco mais à paz. Por isso ter a terra, percorrê-la com os nossos passos, cuidá-la com o nosso labor, fazer crescer para nossos sustento e do mundo, sem a exaurir, é tornarmo-nos maiores, porque mais compreensivos desta chã que nos sustêm e sustenta, assim tornando-nos mais conhecedores e logo mais responsáveis; então, melhores, noutro plano postados, com superior visão sobre as coisas, por isso capazes de mais remedeios, também assim construindo o nosso futuro, no presente que labutamos, e construindo o de todos: os de antes, porque seguimos o que veio; os de hoje preservamos; e os de amanhã, porque melhorado deixamos.
O contrário de tudo isto também existe, claro. Portanto, não perder a atenção e o discernimento, e honrar o compromisso com a responsabilidade.
O primeiro-ministro e o restante elenco governativo, exultam. Portugal cresceu acima do esperado no último trimestre. O Eurostat, assim como a estatística nacional, o diz. Mais uma décima acima das contas feitas (que nunca acertam). A que se deve o milagre? Ao crescimento das exportações? Ao aumento da produtividade? Não. Como de costume (e nisto a coisa nunca falha), o incremento económico do país deve-se ao aumento do consumo das famílias.
Pobre economia esta que se só se vai sustendo exaurindo o pouco que ainda lhe resta.
Começo a leitura em velocidade de cruzeiro do livro de Joseph Ratzinger. Ainda assim, protelo, protelo e sei porquê. A obra não está acabada se bem que uma segunda parte foi prometida. Mas a eleição a Papa… não sei se permitirá o fim deste “Jesus de Nazaré”, no curto ou médio prazo. E como sei antecipar leitura prazeirosa, que desejo sempre, faço esperar, esperar… para que mais dure.
E, nisto, sigo a toda a brida a corrida a Tóquio do Tenente-coronel James Doolitlle, tal são os paradoxos da vida.
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