sexta-feira, 25 de janeiro de 2013


Madrugada de domingo, 05 de Setembro de 2010 Vimos mais dois filmes europeus e pergunto. Onde estão eles que já vão por terras do Brasil? (e que bem os tratam). Para onde foi o florilégio que ainda tive na minha meninice? Porquê esta alienação às produtoras americanas, se nem sequer os espanhóis o fazem? Nem os ingleses! Os franceses nunca, assim como os italianos. Eu sei, estes últimos têm muita produção nacional, mas, pergunto, porque é que deixaram de estar connosco?
Isto é uma facada nas nossas próprias costas. E tão melhores, são as velhinhas películas europeias. As de ontem, de há bocado e (ainda) as de hoje.
O nome era “O Velho Amable”, baseado na obra homónima de Guy de Maupassant, esse eterno das crónicas de costumes, só ele mesmo um manancial para os nossos mestres da claquete, fora todos os outros.
Onde anda este povo, que já não sabe o que há?!

Por sobre tudo isto, as rentrées políticas. Mais atenção aos comunistas e à sua Festa do Avante, porque normalmente mais interessante. A encerrar a festa, uma hora da arenga do líder, fechada com “vivas”. Os três últimos, “aos militantes do Partido Comunista, à “Juventude Comunista” e ao Partido Comunista Português”. À réplica do de sempre, nada para os restantes Portugueses e nada para Portugal. É este, o problema.


Madrugada de segunda-feira, 06 de Agosto de 2010 Vá lá, encontrei uma solução de compromisso para a rega à moto-bomba. Vou sacando regadores enquanto aguo as hortas. Mas ainda não foi hoje, porque estive a dar luta às daninhas com o moto-roçador. Moto-isto, moto-aquilo… Sinto-me a fazer batota. Mas vale o templo de contemplação, que muita falta me fazia.


Madrugada de terça-feira, 07 de Setembro de 2010 Foi esta segunda-feira, a minha rentrée deste ano e já sigo de vento em popa. Hoje, de tudo um pouco, a terminar na Redacção depois das 21h00. Escrita, arquivo, telefonemas, várias saídas, contactos pessoais, compras para os dois apartamentos e compromissos marcados já para o dia seguinte. Que não perca a forma e a disposição, bem preciso de ambas.

Gosto dos franceses porque acredito que gostam de Cultura. Penso-o enquanto vejo “Inglorious Bastards”, a última realização de Quentin Tarantino após um interregno de quatro anos.
E este António Banderas é um portento de um actor que me enche de orgulho ibérico.


Madrugada de quarta-feira, 08 de Setembro de 2010 Depois do visionamento de um documentário sobre a vida e obra de Ugolini, “O Arqueólogo de Mussolini” – uma alma condoída em corpo ferido precocemente terminado aos 41 anos de idade sem riqueza nem glória (antes pelo contrário), quase obliterado pela História – o final da leitura da aventura romanesca e trágica
“O Grande Assalto dos Comandos em St-Nazaire”, com texto de Ken Ford e ilustrações de Howard Gerrard. Que episódio heróico e mirabolante! Como a realidade ultrapassa qualquer ficção; que roteiro de filme de aventuras de guerra excelente. Tem de o haver. Devo-o ter visto, pena não me recordar.
Agora, “Bombas sobre Tóquio: Estados Unidos Contra-Atacam”, na narração de Clayton K. S. Chun e ilustrado pelo já habituée Howard Gerrard. Que aprender mais sobre as anteriores leituras e o filme visto repetidas vezes?...


Madrugada de quinta-feira, 9 de Setembro de 2010 Disse-lhe que a propriedade (fugaz, como a nossa vida) da terra nos engrandece. Na passagem do debate sobre as dificuldades profissionais criadas pelos energúmenos desta vida, que nunca deixam de o ser, a conversa caiu aí. Que a terra chegando-nos mais ao chão da vida, literalmente, nos colocamos mais perto dos céus; porque suavizando-nos as ansiedades eleva-nos a calma e as placitudes, fazendo-nos chegar um pouco mais à paz. Por isso ter a terra, percorrê-la com os nossos passos, cuidá-la com o nosso labor, fazer crescer para nossos sustento e do mundo, sem a exaurir, é tornarmo-nos maiores, porque mais compreensivos desta chã que nos sustêm e sustenta, assim tornando-nos mais conhecedores e logo mais responsáveis; então, melhores, noutro plano postados, com superior visão sobre as coisas, por isso capazes de mais remedeios, também assim construindo o nosso futuro, no presente que labutamos, e construindo o de todos: os de antes, porque seguimos o que veio; os de hoje preservamos; e os de amanhã, porque melhorado deixamos.
O contrário de tudo isto também existe, claro. Portanto, não perder a atenção e o discernimento, e honrar o compromisso com a responsabilidade.

O primeiro-ministro e o restante elenco governativo, exultam. Portugal cresceu acima do esperado no último trimestre. O Eurostat, assim como a estatística nacional, o diz. Mais uma décima acima das contas feitas (que nunca acertam). A que se deve o milagre? Ao crescimento das exportações? Ao aumento da produtividade? Não. Como de costume (e nisto a coisa nunca falha), o incremento económico do país deve-se ao aumento do consumo das famílias.
Pobre economia esta que se só se vai sustendo exaurindo o pouco que ainda lhe resta.

Começo a leitura em velocidade de cruzeiro do livro de Joseph Ratzinger. Ainda assim, protelo, protelo e sei porquê. A obra não está acabada se bem que uma segunda parte foi prometida. Mas a eleição a Papa… não sei se permitirá o fim deste “Jesus de Nazaré”, no curto ou médio prazo. E como sei antecipar leitura prazeirosa, que desejo sempre, faço esperar, esperar… para que mais dure.
E, nisto, sigo a toda a brida a corrida a Tóquio do Tenente-coronel James Doolitlle, tal são os paradoxos da vida.

*

domingo, 20 de janeiro de 2013


Madrugada de terça-feira, 31 de Agosto de 2010 De tão quente o ar do princípio da tarde parece veludo na pele e como que nos embala. Da secura do dia o azul do céu empalidece como numa fotografia a cores antiga.
Debaixo desta canícula tremenda trouxe mais dois originais de pintura de entre os arrumos da exposição do casal de artistas cuja mostra reportei. Quid pro quo tem de ser máxima da vida para que não nos percamos nos desejos de outros, esquecendo-nos de nós mesmos.

Para prenda de aniversário procuro uma roupa interior bonita para a cara-metade. Numa mão, “Victoria Secret”; do outro, “Intimissi”. Prefiro sempre a segunda.


Madrugada de quarta-feira, 01 de Setembro de 2010 Regresso à sala de cinema, em muito tempo para filme de acção com diva do cinema a viver os quarenta, idade em que são mais belas e doces que nunca. O próximo já está agendado porque necessário ao imaginário. Seria hoje, não fosse a conveniência dos vales desconto.
Pena o frio que se passa ao longo das mais de duas horas de fita, fruto do provincianismo de quem não percebe que o sistema de ar condicionado existe para o bem-estar e não para enregelar o utente. À conta disto, contas feitas à horas passadas sob sistemas deste tipo em toda a minha vida, foi sempre pior a emenda que o soneto. Devo ter passado mais tempo desconfortável à conta dos exageros desta malta, quer seja os arrumadores das salas de cinema ou os motoristas de autocarro, ou outros que tais, do que aquele para que a coisa devia servir, enfim, apenas, para refrescar um pouco. Bem pensando, já me proporcionou mais espirros que momentos de doce refresco.

Hoje, em dia de rega matinal a dar uso à nova máquina e muita produção escrita, terminei “O Dia da Infâmia”, de Carl Smith, com ilustrações de Jim Laurier e Adam Hook. Magníficos ensinamentos esta colecção a vários volumes me tem proporcionado, sempre indo conseguindo saber mais ao sabido. Mas faria melhor ainda, se algo tivesse a ver com a sua produção, com muitos apontamentos no que toca ao armamento e que muita falta faz aqui, para além de outros cuidados com a fotografia e gráficos; também a dimensão dos volumes seria outra, precisamente por causa daqueles últimos.
“Contra-ataque ao Japão – Guadalcanal” (Fevereiro de 1942) é o volume que agora já segue na mesinha de cabeceira. Sem fazer referência ao responsável pelas ilustrações, é da autoria de Joseph N. Mueller.
Já não dou é conta dos volumes recebidos que acumulam. Leitura para mais de um ano, com certeza, a que se junta toda a outra.


Madrugada de sexta-feira, 03 de Setembro de 2010 I. perfez 47 anos esta quinta-feira. Não teve tudo o que merecia por este dia que devia ter sido de comemoração, mas estive sempre embebido nela pelo amor e sentiu-o. Toda a vida nos parece querer arrancar um do outro, no seu normal curso ou nas pequenas fatalidades. Talvez por isso mais me apegue como lapa em rocha batida pelas vagas. Está linda, mais do que alguma foi e já o era antes. Celebrei-a de manhã, à tarde e mesmo no trabalho de montagem; e à noitinha, ainda que com A., de camiseta cada vez mais desabotoada. Mas sente-se confortável comigo e gosto que seja assim.
Já a I. compensarei esta noite fora. Será já este fim-de-semana. Que o corpo não a traia. Que não nos traia.

É difícil acreditar que só regressei na passada segunda-feira; porque me parece já muito longe no tempo desta pouco mais que uma semana. E outrossim, parece que foi ontem.
Torna-se mais denso o tempo e depois o espaço, quando se faz muito e diverso. Conto as arrumações da viagem, da casa na chegada, as compras, a rega, a monda, as colheitas, o assunto das moto-bombas (uma devolvida para trazer outra), as matérias para a edição da VS&C de Setembro com respectiva montagem e seu encerramento concluído esta noite, as leituras atrasadas, a correspondência, pensamento em filhos transviados com avistamento e momento breve com o mais velho hoje…
Hoje repego nas leituras e irei pedir a paz dos Hortos, enquanto faço a água correr.


Madrugada de sábado, 04 de Setembro de 2010 – Morreu “o bom gigante”, José Torres, antigo futebolista que se revelou o segundo melhor marcador do Campeonato de Futebol do Mundo de sessenta e seis, em Inglaterra, e o treinador que levou a selecção nacional a disputar o Campeonato Mundial de Futebol de oitenta e seis, no México. O homem do “deixem-me acreditar”, se calhar, o nosso pioneiro do “yes we can”.
Morreu da doença de Alzheimer que o minou nos últimos anos. Recordo-me de aqui há dois ter sido referido por parte do companheiro Eusébio, de que já não reconhecia os amigos. Antes disso, títulos que o davam na miséria. Por vezes somos mesmo uma miséria de país.

Mas os noticiários do dia remeteram-nos para o final do “processo Casa Pia”, com a esperada leitura das sentenças após mais de dois anos de inquirições. Todos os arguidos acabaram condenados e a maior pena recaiu no porteiro, antigo utente, o acusado mais frágil, o único a colaborar com a justiça, que o condenou a dezoito anos de prisão, dentro de um sistema que não permite penas superiores a vinte e cinco anos de cadeia.
Vejo, a desoras, nos telejornais gravados todos os envolvidos: réus, testemunhas, advogados. Todos me parecem muito mais velhos, dois anos passados.

No dia de hoje, campo e conversa com o vizinho, enquanto a máquina, pela primeira vez, exaure a água até mais não subir. Não há dúvida, gasto dez vezes mais água sacando-a à força da traquitana, que a erguer aqueles baldes de saúde. Depois, a gasosa que exige, a fazer pagar a peso de ouro a rega…

Em fim de volume: pouco tempo para uma leitura intensa deste “Contra-ataque ao Japão – Guadalcanal” (Fevereiro de 1942 da autoria de Joseph N. Mueller) em que em capa não referiu a ilustradora, Shirley Mallison. O seu a seu dono.
Há sempre mais a aprender. Leio estes volumes, quase devorando, acumulando melhor perceber de cada episódio. É uma universidade. Tendo já conhecido mais ou menos a fundo cada matéria, ou ouvido meras referências a alguma em particular, há algo em cima que se escapou, que o autor anterior não referiu, descoberto ou redescoberto agora.
E regresso ao cenário europeu. No Atlântico Norte segue “O Grande Assalto dos Comandos em St-Nazaire, da lavra de Ken Ford e ilustrações de Howard Gerrard. A guerra com ingleses sabe sempre a algo mais, especialmente quando combatem os nazis.

Só não são horas infindáveis de leitura, estas, porque seria figura de estilo; mas muitas a tirar àquelas do sono e sempre prolongadas por estas notas que me atiram para uma espécie de desvario, uma corrida contra o tempo sempre parco, reduzido a dias de poucas horas e meses muito curtos, anos que passam num piscar de olhos.

*

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013


Madrugada de sexta-feira, 27 de Agosto de 2010 Depois do escrito estival no campo das estrelas a saudar o apóstolo, o regresso a este, com tanto para firmar e sempre tão pouco tempo. Regresso a este diário depois de três dias de esforços a recuperar (algum do) tempo que ficou lá atrás, nas pedras milenares da catedral e na presença especial dos peregrinos.
Agora, estou na minha vida.

Preocupado com mais ou menos água, saúde das couves e desenvolvimento das abóboras, ao terceiro dia, e na impossibilidade da ida, telefonei à vizinha dos Hortos para saber das coisas naquela nesga de redenção. Está tudo bem, “tudo bem fechado”, a chuva de ontem de madrugada e manhã e a provável ainda hoje fazem com que “não precise”. Melhor, mas as saudades são; domino-as e meto-me a prosseguir a empreitada que levo a cabo desde terça-feira na Redacção. Aspiro na mente os odores e sons da terra enquanto bato teclas de computador a escrever outras realidades.

Termino e me trouxe aqui nesta madrugada o final do terceiro volume da “Operação Barbarossa III – O Inverno Russo”, de Robert Kirchubel. A breve pausa desta leitura temática colocou nas minhas mãos por momento vazias o “Jesus Cristo” que, sempre assentado à vista me traz a certeza de querer, se bem que não tenha podido poder. Mas as poucas palavras lidas reconfortaram-me a alma e deram-me alento a continuar, antecipando a interpretação do homem depois ressuscitado dvisto por Joseph Ratzinger. Também me trouxe a percepção do dever da participação no “Paróquia Nova” onde hoje veio o meu segundo texto publicado.
Entretanto, inicio a redacção de Carl Smith com ilustrações de Jim Laurier e Adam Hook, “O Dia da Infâmia”, onde espero, à medida dos volumes anteriores desta colecção, descobrir algo de novo ao desde já sabido.


Madrugada de domingo, 29 de Agosto de 2010 Procuro o ritmo caseiro que julgava nem sequer ter perdido do corpo, mas não. As ondas de actividade ainda são as mais recentes, as daquele campo de estrelas do noroeste peninsular donde se regressa de alma mais repousada; não necessariamente pelas refeições sem trabalho de as confeccionar, é mesmo aquela paz que nos fica quando saímos depois de meia hora de contemplação na pacifíca igreja aberta a público, mas com pouco.

A correr atrás das gravações do “Meo”, a maximizar despesa da conta mensal, baseado na obra homónima de Goethe, vejo “As Afinidades Electivas”, uma historieta passada na região italiana da Toscana no período final do séc. XVIII, com realização dos irmãos Paolo e Victtorio Taviani. Uma triangulação arremedada a swing nas relações de dois pares: o casal jovem maduro Edoardo e Carlotta, o amigo Ottone, arquitecto, e a filha adoptiva da primeira.
Estas “afinidades” são bem o paradigma de um tempo revolucionário que me fazem lembrar uma revolução sexual à época coeva. O período romântico terá sido a segunda grande convulsão moderna de costumes, depois do Barroco de Luís XV. Nesta história e neste filme, as novas modas do tempo ficam bem patenteadas na abordagem artística do escritor alemão aos costumes, bem engalanada também com os usos de indumentárias descritas, especialmente das mulheres, desespartilhadas a vestidos redondos.
Estes sempre foram tempos que ultrapassam o tempo de uma geração e que se desenvolvem em espiral até ao corte epistemológico seguinte. Na narração do tempo mais recente dos homens, todo o período temporal desde o ensaio libertador da “Geração Beat” no pós-guerra e década de cinquenta, a revolução sexual “Hippie” nas décadas de sessenta e setenta e, neste última, o desvario “Punk”, fruto do choque petrolífero e consequente crise económica, tudo a redundar mais tarde na libertinagem “Yuppie” dos anos oitenta, altura do surgimento da SIDA que arrasou as alforrias de quarenta anos de esbatimento das fronteiras do mundo, qualquer tipo de que fossem, físicas e políticas ou psicológicas e anímicas.
Olhando a história dos homens acontecida, foram sempre mais longos os períodos de paradigma de libertação do que aqueles de repressão, apesar de serem estes últimos aqueles que por vezes parecem mais ter marcado a cultura e a memória, como é o caso da época vitoriana. Mas isso só é verdade porque os intérpretes da repressão, sempre foram mais persistentes na preservação do seu ideário; por isso mesmo são “conservadores”. Eternizam o que é socialmente contundente usando para isso os traumas colectivos amachucados por interdições anti-naturais.
Não teríamos chegado a lado nenhum sem as muitas e sucessivas libertações do corpo e do espírito, e que fossem suficientemente longas para que pudéssemos consolidar as aprendizagens de nós próprios, à luz de uma livre troca de ideias.


Domingo, 29 de Agosto de 2010 Os Hortos passaram sem mim e sobreviveram, com a mão amiga da vizinha. Por junto, perdeu-se um pé de couve lombarda, que ainda respira, mas que mirrou à secura de um dia a mais depois da chuva de quarta-feira passada que me permitiu protelar a rega e a visita de saudade.
A terra (cuidada) é uma prisão. Prisão de amor, sim, mas ainda de ferro grosso e âncora fundeada nas profundezas da alma.
Enfim, tudo resistiu aos dias de férias sumidas e a paz disso mesmo permitiu alguns trabalhos de limpeza a ensaiar a que virá a partir de dentro de quinze dias, a acumular aos preparos das hortas de inverno, sempre rezando para que as temperaturas baixem.

*

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013


Madrugada de sábado, 14 de Agosto de 2010 Fim de época nos Hortos. Ficam algumas nabiças, depois das de hoje definitivamente arrancadas pelo nabo muito lenhoso e que deram aquela e respectivo grelo nos últimos meses; outras poucas ficaram, a trazer antes do cumprimento deste Año Xacobeo. As poucas couves que sobram e as abóboras, que teimam em romper, ficarão aos cuidados próximos da velosa vizinha que visitei hoje.
Deu-me ao conhecimento que o combate ao fogo desta terça-feira foi-o pela mão do povo que acudiu. Depois, duas bombardas do helicóptero resolveram a questão e os bombeiros fizeram o rescaldo. Brava gente!

Hoje termino o “Homens, Espadas e Tomates”, de Rainer Daehnhardt, o alemão feito português pelo amor. As últimas páginas fi-las render estes últimos dias de trabalho, para que ficassem mais tempo. Apaixonante a toda a sua altura e letras, essas. As armas e a coragem dos homens; dos homens que somos herdeiros; fez-me reviver uma certa forma de leitura romanesca da adolescência. Por isso gostei mais, ainda por tratar de armas, tema que só posso apreciar tanto como de abominar a guerra.
Pena mesmo, é que este tipo de edições temáticas esteja sempre de alguma forma ligada a um determinado tipo de pessoal saudosista do tempo da outra senhora e que, sem dever, não consegue evitar meter Deus no meio destas coisas da nacionalidade e do patriotismo, o que é mesmo um castigo.


Madrugada de segunda-feira, 16 de Agosto de 2010 “Jogos de Infidelidade”, no original “Trust The Man”. Americano, como todos, explora a relação de dois casais amigos. Não sei se pretenderá ser um postal da realidade, ou uma hiperbolização mas, ainda que se tenha querido que fosse esta última, continuo a dizer que estes filmes americanos são a concretização do pudor; mais: nestas fitas tão “ninetis”, ou de início de milénio, encontro uma similitude de tal forma nítida com os caracteres dos anos cinquenta do século passado, que até me espanto. Claro que há inversões evidentes, como o facto daquela trabalhar e o companheiro ficar por casa, mas é apenas isso mesmo – inversão. O resto é o mesmo.
Dantes não se chegava ao sexo. Agora, chega-se, mas depois não se concretiza. Na razão de ambas as situações, o mesmo preconceito.
E se o final não é estapafúrdio ou brutal, é ainda mais romanesco que então.
Tudo anda para trás.
(Admiro esta gente, são magníficos actores. Gostaria de os ver fazer de outra maneira)

Pela primeira vez não reguei, achando que devia ir. Amanhã darei o dobro. Preparo os diazinhos de férias. Não digo que não fui e cumpro o Año Xacobeo.


Madrugada de terça-feira, 17 de Agosto de 2010 Já voga o espírito Xacobeo, hoje já tornado na geminação com Hendaye que está perto da ocupação total para o ano que vem. A volta pela Net aguçou vontades e já se fazem contas para o ano seguinte. Julho já dá pouca escolha de camas e será assunto para o retorno de Santiago onde já nos vemos.
Ultimam-se trabalhos para a próxima edição, e arrancam-se pelo nabo duro as últimas nabiças da época. Com a rega das abóboras garantidas pela vizinha, passa-se o terreno a herbicida que a primeira molha resultou mal.
É preciso não esquecer nada, por isso calma em vez de fervilha, selecção nos procedimentos e artigos de viagem, horários vistos atempadamente e apenas levar as leituras necessárias, porque na volta virão também, junto dos souvenirs.
É preciso viajar, dos comentários dos outros não se vive, se bem que se aprenda melhor. Irei e serei, depois, professor.


Madrugada de sexta-feira, 20 de Agosto de 2010 É viagem… de férias. Estou mais cansado do que a trabalhar. Palavras (escritas) para quê? Mesmo essas, que não deviam ser, se não estão aqui, estão do outro lado!...

*