sábado, 30 de julho de 2011


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Quinta-feira, 11 de Março de 2010 Inicio a leitura do livro do americano Anthony Beevor, “o Mistério de Olga Tchekova”, uma figura quase mítica das espionagens e contra-espionagens russo-nazis, uma judia posteriormente elevada à condição de heroína da ex-URSS por Estaline. Uma história de artistas, religião, revoluções, guerra e sobrevivência, melhor que qualquer romance do género, porque verdadeira.
Terminei, pois, o “Aldeia: Terra, Gente e Bichos”, de Aquilino, conjunto de histórias horríficas, terrífico livro a mergulhar na terra e nos gentios de antanho. No seu entretanto, sublinho todos os termos constantes e incomuns, busco-os no dicionário e rio-me, rio-me muito… da minha ignorância.


Madrugada de domingo, 14 de Março de 2010 Assisto à gravação tida em arquivo da nova série documental sobre a II Grande Guerra, vinda com a colecção a trinta volumes que comprei recentemente. Descubro magníficas filmagens inéditas, coevas, obtidas a partir de uma pesquisa de dois anos. Vejo as imagens digitalizadas, melhoradas e, agora, coloridas; ouço os discursos directos dos líderes nazis, os enforcamentos, os fuzilamentos, os soldados estropiados, os corpos desfeitos e dou comigo a benzer-me e a encomendar as suas almas a Deus; também a pedir perdão pelos assassinos.
Sinto que rezaria todos os dias se fosse parte do rugido da batalha. Rezaria fundamentalmente pela minha responsabilidade pelas vidas dos outros, amigos e inimigos, sempre pedindo esclarecimento.


Dia de domingo Acompanho desde ontem o congresso extraordinário do maior partido da oposição e ouço com atenção os quatro candidatos à presidência. À excepção de um deles, vindo de outro partido também situado na direita do espectro político, nenhum sabe falar. Fracos discursos, pouca riqueza lexical e nenhuma originalidade nas ideias.
Pobres de nós todos, neste tempo que a todos pede soluções. Mas não há ninguém!

Já perto do final do congresso, que não serviu para eleger ninguém, um antigo líder propõe um articulado que proíbe por parte dos militantes a crítica à direcção do partido nos sessenta dias anteriores aos congressos. É aprovado.
Está perdido, este país.


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sexta-feira, 22 de julho de 2011

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Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2010 Com a recente catástrofe “natural” na Madeira, seguiram-se as costumeiras solidariedades nacionais que tudo lavam. Mas, perguntamos, para quando o apuramento de responsabilidades?
As fortes chuvadas tudo levaram, gentes e casas da “pérola do Atlântico” onde a besta cresceu (e vai continuar a crescer) ao longo de taludes e ravinas até aos 80% de inclinação (!!). Constrói-se mesmo ao lado do leito de cheia das ribeiras locais (ribeira “Brava”, vinda da serra da “Água”, está-se a ver?...).
As perdas de vidas e de milhares de milhões em prejuízos materiais, que estamos a pagar, não foram fruto do acaso mas, no mínimo, da incúria e negligência dos responsáveis políticos e à iniciativa empresarial dos gananciosos.
No que nos toca, entendemos que quem tem mais responsabilidades naquelas perdas materiais e nas dezenas de vidas humanas destruídas do que todos os outros – e que é de todos conhecido por aparecer muito nas TVs e jornais, se bem que se tenha mantido escondido, tal gato com rabo de fora, nas primeiras horas a seguir ao desastre –, é o grande arquitecto na morte violenta de muitos dos seus conterrâneos.
Quando apareceu, sorria e sorria muitas vezes, mais ainda quando surgiram as câmaras das televisões do “contenente” ou os flashes dos jornais e revistas que cobriam os trabalhos de rescaldo onde se iam ensacando os mortos; sorria enquanto a respectiva boca, viperina, mimoseava os muito públicos microfones dos órgãos de comunicação social a palavrão indecoroso, enquanto era aplaudido pela sua entouráge, mas também pelo seu tal “povo superior” que se fartou se referir, e que tudo lhe permite…
Pedem-nos ajudas para a Madeira. Respondemos que vimos a dar para a Madeira desde 1987, data do primeiro pagamento que fizemos sobre o nosso rendimento ao Estado português, quando ainda se designava por Imposto Profissional. O nível de vida na Madeira é quase duas vezes superior ao do meu verde Minho e não me apetece manter as diatribes dos líderes locais e dos ingleses que a colonizam.
De resto, o Governo central já respondeu e a União Europeia accionou com diligência o fundo de emergência para este tipo de casos. Mas a “onda de solidariedade” já vai enrolando, gorda, a bola de neve solidária… promovida pelas grandes marcas dos centros comerciais! Faz-me lembrar a campanha de recolha de resíduos daquela sociedade (industrial) que anunciava no canal 2 da RTP, até parecendo coisa do Estado – “Valorize o seu lixo”… para eles, a troco de nada para todos os outros.

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segunda-feira, 18 de julho de 2011

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Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010 Na Venezuela acabaram-se as ilusões. Os estudantes estão na rua, já morreram dois nas manifestações. Pedem liberdade de manifestação, água e electricidade. Chávez, fardado, clama aos microfones que os filhos da burguesia no passaran! É a guerra aberta.

Chávez não é nem poderia ser Castro. Este tempo é diferente e não há Guerra fria que dicotomize as opções. Por liberdade, tolerância (e igualdade) se luta nas ruas de Caracas.


Sábado, 7 de Fevereiro de 2010 Acho que hoje é um dia importante. Pela primeira vez trouxe para casa algo que produzi na horta que tenho nos Hortos. São grelos, senhora, são grelos e que belo aspecto têm! Vão a cozer hoje à noite, para comer com as batatas em saldo do “Continente” e os três chouriços, que vão a assar, comprados com os vales da mesma empresa. Ora aí está um jantar rústico cá de casa, com os ares a cheirar ao devido. Magnífico!

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domingo, 10 de julho de 2011


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Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010 Em início de mais um dia demolidor ainda a findar com a emissão do “30 Dias” numa das rádios locais, à noite, espreito o canal “RTP Memória” na TV por cabo, enquanto fujo ao debate do orçamento de Estado. Vejo o Pedro Barroso a cantar em palco, ainda magro, sem brancas. Lembro-me bem desse tempo, muito meu. Não me lembrava é que já foi há tanto tempo.


Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010 Faleceu uma mulher cheia de classe, como poucas outras da mesma estirpe, e que conheci pessoalmente – e, eventualmente, por um breve momento, decepcionei –, num encontro há uns anos para os lados de Vila Nova de Cerveira. Antes, tinha-a encantado, levemente, quero crer. Nascida em 1932, desaparece agora também a escritora, a actriz, entre outras coisas. Escreveu para crianças e para o Festival da Canção, por isso foi levemente ignorada por uma determinada faixa da nossa intelectualidade (lisboeta, essencialmente, digo-o eu, com uns pavões do Porto a irem de arrasto). Deixou-nos palavras impressas, cenas gravadas, coisas encantadoras. Nas artes representativas conseguiu fazer muitos espectadores odiarem as personagens novelescas que interpretou, passadas na RTP1, mais tarde na 2 e RTP África.
Continuava “linda, linda”, como lhe disse há anos, em Cerveira e chamava-se Rosa Lobato Faria.

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sexta-feira, 1 de julho de 2011

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Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010 O problema do processo de resolução da actual crise económica e financeira mundial, é que todos estão à espera de que as coisas possam voltar a ser mesma coisa, isto é, menos mal. Ora, o problema desta crise extraordinária, é que as coisas não poderão ficar na mesma sob pena de tudo voltar a colapsar, desta vez definitivamente e com efeitos muito mais perversos.
No entanto, o que eu vejo, é as pessoas a andarem ao ritmo de quem quer ver as coisas ficarem como anteriormente e, por isso, se parte de uma falsa premissa no combate a esta crise, o que compromete irremediavelmente o seu combate.


Domingo, 24 de Janeiro de 2010 Depois das buscas estarem oficialmente encerradas, 24 dias após o maior abalo, mais um homem é encontrado vivo sob os escombros do terramoto que deixou em ruínas um Haiti inteiro, mais de 200.000 mortos, já considerado uma das maiores catástrofes humanas de sempre colocando a nu o estado da humanidade nas suas relações entre as nações e com este planeta.

Portas no Parlamento, no jornal da tarde, na TV, justifica-se perante os jornalistas. Ao contrário do que se esperaria e é habitual, não está à-vontade. O CDS-PP viabilizou uma vez mais o Orçamento de Estado do Governo PS, o que já não é inédito. No entanto, nunca deixar de cheirar ao “orçamento limiano” do PS de Guterres e do deputado alto-minhoto Daniel Campelo do então “PP”, também de Portas, que suspendeu o “mandatado pelo povo”.

E ainda os trabalhadores portugueses, migrantes para Espanha, sem fixarem residência, a percorrerem a Europa do desemprego, sempre disponíveis. O mundo a andar para trás, com os ocidentais a comportarem-se como os outros todos, à procura de trabalho como aqueles do fim da Idade Média a quem os aristocratas e o clero desdenhavam, os “ganha-dinheiros” que ultrapassavam, feudos, fronteiras, fugindo à lei dos homens… e de Deus, claro.
Como os estados detestam os viandantes da vida, ciganos, feirantes, artistas de circo, e agora estas massas trabalhadoras ilegais, a mole de desempregados sem direito a subsídio, jovens fora da escolaridade obrigatória. Olham-nos com desconfiança porque, logo à partida, são o paradigma do insucesso desses mesmos estados; a seguir, porque escapam ao controlo. Estão sempre sujeitos à referenciação da autoridade, mas quanto não são, todos eles, a produção deste mundo onde se busca a maximização, a optimização, em detrimento do equilíbrio?

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