sábado, 25 de junho de 2011


Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010 Nono dia em casa, o último desta série que teve início com o fim da malfadada montagem da última edição da revista. Sempre com muita chuva, todos os dias. Depois, os problemas na impressão, as chapas do offset gastas, a pouca prontidão da maquetista, as impertinências do gráfico, as correcções, a reimpressão. Ainda receber a encomenda atrasadíssima, tudo “ossos” em início de ano, com a vida dos filhos um pouco mais difícil, sem dúvida.
Esta chuva deixa-me sempre a impressão de mais um dia adiado, apesar do muito que foi feito hoje – listagens de pontos de venda, cobranças, listas de envios por CTT, entregas em mão, e outras coisas tantas -, mas ainda tanto para fazer e tão pouco tempo.


Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010 Novamente a sensação de dia adiado, mormente o muito que foi feito. Espero muito de mim é o que é e, depois, não posso contar com todo o trabalho programado feito e, daí, esta permanente sensação de serviço por cumprir, assim quase todos os dias…
Aproveitar o sol envergonhado neste dia em que nos campos a água corre como que em ribeiros, tudo transformando em paul. Fiz-me ir aos Hortos remir os pecados do plantio das árvores, mas a empresa exigiu-me o fim da manhã e quase toda a tarde. O serviço de distribuição da revista na rua ficou adiado… para o próximo dia de chuva, evidentemente.
Pretendia ainda chegar, tomar banho, almoçar, sair para colocar a revista em alguns pontos de venda, terminar o encarte do caderno desportivo na restante meia edição. Isto com as listas a fazer em espera, para além de umas cobranças de publicidade e assinaturas, para além de umas entregas em mão. Está bem abelha…
Mas as arvorezinhas plantadas… Só o trabalho que deram valeu bem o serviço pelo dia inteiro, apesar de isso não me adiantar nada na parte editorial, que acabou protelada. Mas era necessário aproveitar o intervalo da chuva e tirar o ranger dos ossos dos últimos dias em casa. A coisa deu-me no pulmão e aguentei tudo até os braços não obedecerem. Mas assim sabe melhor e a beatitude de trabalhar a terra fica mais tempo dentro da alma.

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sexta-feira, 17 de junho de 2011

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Domingo, 17 de Janeiro de 2010 Durante o zapping televisivo matinal – ainda não se percebe se vai continuar a chover ou haverá alguma parança destes dilúvios diários –, a missa dominical na TVI, o último resquício da “televisão da igreja” na TV nacional. Uma jovem (bem saudável, por sinal) defronte o altar, uma sujeita idosa que passa a seu lado avança para o púlpito (?) e canta divinamente.
No meio da manhã maldisposta, com a minha expressão franzida, penso nos pecados de todos aqueles misseiros(as) bem trajados e não deixo de pensar no pecado maior, fazer crer aos outros a nossa falsa crença, todos os dias; ou pelo menos todos os domingos, porque nos outros dias é muito difícil enganarmos sempre, fazermos os outros pensarem permanentemente que afinamos por determinada bitola. É campo perigoso, perigosíssimo, onde se brinca com fogo… o fogo dos infernos.
Lá fora, a momentos, rompe o sol molhando-se na cidade encharcada, para logo se retirar e devolver-me uma fina depressão, tão leve que insustentável. Reflicto nos meus pecados. São três, na forma de árvores compradas há uma semana, ou um pouco mais do que isso. Uma macieira, uma tangerineira e um limoeiro. Estiveram abrigados desta chuva destes dias, mas a água que traziam na terra colada à raiz, bem pode já ter desaparecido, apesar de toda esta que dança lá fora. Terei de ir aos Hortos hoje à tarde pela estrada encharcada, fender a pneu de bicicleta os caminhos alagados a cheirar ao frio da terra deste Janeiro inundado às chuvas e saraivas, assim como dos muitos mortos nos noticiários do mundo.
Penso e há mais pecados, por aqui. Uma conversa ainda não tida com um colaborador e uma carta ainda não enviada a outro. Ambos assuntos urgentes e já algo antigos. E outras tantas faltas, antes de mais, e sempre, para comigo mesmo; contra mim sou!
Mas os Hortos, oh, os Hortos, têm sido a minha remissão que, nestes dias, desmereci. Tal como as arvorezinhas encafuadas no contentor,  esperam sempre por mim e dão-me a quieta calma que só lamento só encontrar por lá. Eu, os sons do sítio, os aromas dos ares e da terra e, nessa, os meus passos. Oh, quadricromia perfeita, se em perfeição nos podemos meter, nós, que tão perfeitos somos das nossas imperfeições.

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domingo, 12 de junho de 2011


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Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010 Termino a leitura de “A noite do teu aniversário”, de Lionel Shriver, vencedora do Orange Prize, de quase 600 pp., uma leitura esforçada intermediada por mais quatro ou cinco romances (ia dizer três ou quatro, mas foram mais).
Um drama conjugal em dois planos separados com igual número de soluções, uma mulher e dois homens, diferentes. Terá ela sido diferente com cada qual? Um romance de uma mulher para mulheres, não tenho dúvida, por mais que possam ansiar mais, mas possível de ser lido por homens, como agora. Percebem-se coisas, encaixam-se outras, compreende-se o intrincamento e, simultaneamente, a vastidão da vida.
Duas faces da mesma moeda (se bem que o valor esteja sempre apenas de um dos lados).

Agora, inicio nova leitura depois de muito esquadrinhar as prateleiras dos livros oferecidos pela Bertrand. É quase incrível a quantidade de livros insatisfatórios que se escrevem. É descoberta de quem lê. Ficar ciente de que há muitos maus livros mas que nem por isso deixaram de o ser.
Muitas autoras, cada vez mais, mais que as mães, é como nas faculdades das universidades. O mundo está mais lento e imbricado. Esta preguiça masculina está a sair muito cara, tudo está “a senhora doutora isto, a senhora doutora aquilo…”, em qualquer gabinete ou repartição a que se vá.
Enfim, após muito percorrer e remexer as prateleiras, novamente reduzidas por via das prendas do Natal, um fininho da Danielle Steel, outra leitura para senhoras com as letras do título em capa – “A Avó Dan” – bastante mais pequenas que as usadas para o nome da escritora. Romances de cordel elevados a fino, com impressão a dourados e prateados, ou deverei dizer platinados? Uma historieta com desejos a contos de fada, bailarinas, príncipes e princesas, tal qual o cliché.
Mas mais uma leitura – a primeira do ano –, mais um dever a juntar a todos os outros. Na saúde e na doença, até ao fim.

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