Madrugada de quarta-feira, 26 de Maio de 2010 – Hortos: as chuvadas havidas dispensaram-me da rega e logo aproveitei para outros labores. Aconteceram ainda mais. Comecei, sem contar com isso, a instalação do sistema de rega, com canos à séria numa conversa oferecidos pelo vizinho e acompanhei as alfaces que trouxe com as primeiras ervilhas tortas que a cara-metade adorou. Eu também.
Leitura: Neste livro a que me dedico agora não só me delicio na mente e aconchego na alma com as palavras inscritas, como privo com Machado Santos, passo por Fernando Pessoa e vislumbro Sidónio Pais; aflijo-me com os revoltosos da Rotunda, vibro com os revolucionários da praça do Município e rememoro as republicanas disputas.
Revista: De quem tinha em alguma consideração, recebo a missiva, via email, mais ultrajante, aviltante e soez de que tenho memória em toda a minha vida. A primeira resposta ao assunto está escrita. Seguirá nuns dias, deixá-lo(s) estar. O resto ver-se-á depois. Mas também já começou a ser alinhavada.
Há aqueles que em mais novos cometem os erros para mais tarde os corrigir. Há os outros que vão para velhos para fazerem ainda pior.
Madrugada de quinta-feira, 27 de Maio de 2010 – Fecho pela última vez, nesta primeira leitura da minha vida d”O Vermelho e o Verde”, do já amigo Jorge. Dessa deliciosa leitura, um conceito se junta aos quadros já aqui apresentados: o conceito de família, hoje também debatido com amigo, em fim de tarde à beira rio. Na Redacção, onde me foi buscar, contei-lhe da minha vitória da vida na aquisição de majestosa secretária em carvalho maciço, que muito apreciou (a secretária e a crónica da sua aquisição) e que mais uma vez se surpreendeu, agora com nova história da estante que se lhe vai juntar, por valor zero, fruto de proposta minha hoje, a troco de publicidade junto do vendedor de mobiliário e, em grande parte, também amigo.
Noto agora – tenho 43 anos de idade e ainda hoje de manhã me senti mais em forma do que nunca, a modos de dizer, é claro….
Quinta-feira, 27 de Maio de 2010 (escrito antecipadamente, muitos, muitos dias) – Dia de aniversário dos meus 43 anos de idade.
Até aqui há dois anos, ao longo do período de um ano imediatamente precedente, permaneci estranhamente adiantado no meu tempo. Os 365 dias dos 40 não foram totalmente conscientes desse segmento de tempo como tal, pois a vida sabia-me a mais um ano, aos 41. Por isso, quando de facto os cumpri, dizia a mim próprio que tinha a impressão de ter ganhado um ano.
Assim tive os 41 por dois anos. Quando tornei os 42, pela primeira vez senti o peso, não aquele da idade e do tempo cumprido propriamente ditos, mas o outro do número dos aniversários e, confesso-o, estreei-me nesse incómodo tão característico – o da idade – de que ninguém foge e todos se queixam. Uma inevitabilidade tremenda, diga-se em abono da verdade.
Agora, na hora que conto os 43, regressa-me uma sensação de conforto para comigo mesmo e para com o ritual da passagem – sempre lamentando o ano que findou na sua percepção imperfeita, hoje reencontro o meu tempo.
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