Madrugada de quarta-feira, 07 de Julho de 2010 – Na primeira “meia-final” disputada, a Holanda, uma das minhas apostas a par da também semi-finalista Alemanha, carimbou o passaporte para a Final deste fim-de-semana, por 3-2.
Um golo do outro mundo abriu a contagem para os holandeses que viram o resultado empatado antes do final da primeira parte. Mas o futebol tricotado da “laranja mecânica” conseguiu encontrar espaços impossíveis fazendo voltar aquele perfume que a Europa já conheceu noutros tempos, especialmente com as subidas de Robben e o repentismo de Sneidjer, bem suportados pela disciplina táctica de todos os outros.
Deste Uruguai um nome fica: o do avançado Diego Forlán, filho de um defesa dos anos 70/80, saiu muito cedo do Manchester (um erro do colosso britânico?) para rumar ao Villareal e daí brilhar no Atlético de Madrid onde juntamente com Simão Sabrosa, tem feito os “colchoneros” parecerem mais equipa.
Forlán saiu do jogo ao minuto 83, num momento quase simbólico da partida quando os uruguaios perdiam por 3-1, se bem que tivessem conseguido depois reduzir a desvantagem já em tempo de descontos e quase conseguido igualar.
Do Mundial, até agora, uma certeza também se adquire: a de que, pela primeira vez na história, uma equipa europeia será campeã fora do seu continente. Fora? Isto é África, se calhar nunca a Europa saiu de lá, verdadeiramente…
Madrugada de quinta-feira, 08 de Julho de 2010 – O perfume do futebol espanhol bateu a eficácia alemã. Quem o diria ainda há bem poucos anos? Com o resultado de 1-0 esta Espanha de scores minimalistas segue rumo à final deixando uma Alemanha a discutir o terceiro lugar com um até aqui sempre surpreendente Uruguai.
Mas não terá sido por acaso. Mesmo a jogar entrosada, com este futebol de recorte técnico a lembrar Portugal, a minha aposta iria sempre para os teutónicos. No entanto, houve aqui um novo elemento que se imiscuiu alterando a estrutura. A exigência, antes do jogo, de Lahm, em permanecer com a braçadeira de capitão mesmo após o futuro regresso de Ballack, retirou a paz de espírito de calma certeza de que os campeões necessitam para o serem. A selecção germânica estava menos equipa por isso e, por isso mesmo, perdeu a meia-final.
Terá faltado, nesta parte, a genialidade do ser, ultrapassando questiúnculas, mas Lahm não é um génio, é apenas talentoso. Aos génios, perdoa-se a perda de compostura; de talentosos parvos está o mundo cheio.
Está feito: o Tribunal Europeu decidiu contra Portugal no caso da golden share que detém na Portugal Telecom, indo de encontro ao parecer da Comissão Europeia do liberal (a cheira a “ultra”), Durão Barroso, esse, o português que leccionou nos “US of A” e que foi posto a presidir à dita Comissão por influência americana; esse que viabilizou a segunda invasão do Iraque; esse que foi fazer queixinhas à Europa do déficit de Guterres; esse boneco que lá colocaram para que, assim, alemães e franceses não estivessem sempre a apontar o dedo uns aos outros.
No entanto, que lamentar nisto? Não foram os próprios accionistas que votaram a venda da brasileira “Vivo” aos espanhóis da “Telefónica”, essa corja sem pátria? Esses “pseudo-muito-ricos” que não valem nada e que, sem liquidez, desaparecem do mapa e por isso mesmo agora vendem os anéis de família?
Quase nos faz isto desejar que vendam tudo, PT incluída. Talvez as chamadas telefónicas, a Net e a TV nos ficassem mais baratas…
Uma tristeza, este país de falsos poderosos, de pretensos liberais que não se desenrascam sem a protecção da regulamentação do Estado e sem os seus investimentos. Gente a brincar nesta nação de gente pequenina que anda aos papéis agora que descobriu que o segundo carro para a família não cabia no orçamento e se acha igual ao estrangeiro cuja dificuldade é pagar a hipoteca da casa de férias e não da casa da família.
Madrugada de sexta-feira, 09 de Julho de 2010 – Sozinho em casa! A cara-metade com a irmã, na Galiza, e eu atado à distribuição do número noventa da revista (e que linda que ficou). Já comecei bem, com distribuição pelo litoral norte e Galiza, a expensas do gráfico, Deus o proteja, café e lanche incluído. A rega dos Hortos é que teve de esperar. Que a diminuição da temperatura hoje registada dê as horas que as alfaces e as couvinhas precisam. Amanhã será esse o primeiro serviço do dia; depois, algumas voltas nos pontos de venda, para acabar a tarde, já noite, na Redacção e jantar depois a refeição que ainda não sei nem imagino. Talvez uma volta com a companhia, se entretanto não tiver a sorte da disponibilidade do amigo para meter a bomba de água na oficina, ou no representante, para fazer valer a garantia. Nem tempo tenho para saudades.
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