sábado, 28 de maio de 2011

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Antes e após as 0h00, sábado e domingo, 5 e 6 de Dezembro de 2009 – As minhas notas diárias espaçadas no tempo desta escrita. Tempo usado a ser demasiado feliz? E, contudo, tudo tem sido difícil até ao inconsolável, as dificuldades crescentes de todos, esta certeza de que tão cedo não haverá certezas; e, contudo, ainda: este temporal lá fora, a bravejar noutro crescendo inexorável. O alerta amarelo para vários distritos do país, Vila Real, Viseu, Viana do Castelo e mais outros tantos ainda. Da última vez que me lembro duma igual, várias árvores foram arrancadas só na cidade, automóveis para a oficina. Contudo, continuo, embeveço-me por esta Natureza à solta rugindo-nos aos ouvidos surdos.
E, contudo ainda, os problemas da vida, esses mesquinhos… que fazem o vendaval desta rotina destes meses em breve invernosos e se concretiza neste dia de tormentório que despe ramos, parte árvores, nos mete a força do vento, que uiva lá fora, dentro de casa junto aos tornozelos.

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sábado, 21 de maio de 2011

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Madrugada de quinta-feira, 22 de Outubro de 2009 – Três mães de ex-alunos, reúnem-se à frente do Colégio Militar, em Lisboa, na sequência das notícias de maus-tratos por parte dos alunos mais velhos aos mais novos, factos também testemunhados por quem lá andou, em 1977.
No passeio defronte o colégio, muitos pais de actuais discentes fazem a contra-manifestação. Do primeiro grupoo, uma mãe chora ao microfone do jornalista, quando recorda a letra de uma canção que obrigaram o seu filho a cantar aquando de uma “punição”, e que a insulta. Do outro, uma entrevistada defende a instituição, nunca desmentindo as notícias veiculadas, também acrescentando que só nasceu em 76.
Aprecio tudo e não posso deixar de pensar quanto daquela contra-manifestação não é mais do auto-justificação. Entretanto, a mãe de 76, grande, mamuda, pesada, continua a cirandar de volta dos microfones das outras cadeias de televisão. Gostou do que disse, e gosta de si, quer falar mais. Pergunto-me o que é o filho dela andará por lá a fazer aos mais pequenos.

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sábado, 7 de maio de 2011

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Madrugada de quarta-feira, 9 de Setembro de 2009 – Vimos no Teatro Sá de Miranda catorze documentários acerca de emigrantes, em Viana, realizados por alunos do 12.º Ano em colaboração com a associação para o audiovisual cá da urbe. Uma brilhante iniciativa formativa desta associação, que acontece depois de muitas outras anteriores acontecidas, especialmente nos últimos anos. Ao longo de três horas, para um teatro pleno de espectadores, uma mostra dividida em duas partes separadas por intervalo para café e chichi.
A primeira, traduzindo aventuras de algum sucesso, com gente miúda e graúda, vindos sobretudo dos países de Leste. Muita emoção, sem dúvida, quando se vê a jovem, insegura, saudosa e bela moldava, apoiada pelos seus professores e colegas, a perpetuar a tradição local, integrando, inclusivamente, um rancho folclórico; as notas escolares acima do valor quinze; as saudades ainda presentes mas já um pouco sobre as costas.
Segunda parte diferente, dura, no insucesso mal disfarçado, no desemprego, no abandono, na ilegalidade no trabalho, assim como na coragem de o revelar com a face dada ao ecrã (fi-lo notar, já no final, ao presidente da associação, que só o pareceu descobrir aí); mas também o desalento que nem as intenções académicas do jovem insular, tropical, escuro, que lava a sua roupa nas máquinas de moeda, conseguem evadir da triste realidade vivida à borda do rio Lima que contempla.
“O caminho é para se seguir… até se chegar a algum lado”, diz.
E disse tudo o que havia para dizer.

Da reflexão no momento e à posteriori, duas conclusões pouco felizes: Primeiro, que este Norte de Portugal acolhe muito melhor o novel branco de Leste que o quinhentista africano negro, apenas escuro que seja; segundo, e, sobretudo: felizes os que podem ficar em casa!
Por mais que alguém possa dizer o contrário, só sai do lugar donde nasceu quem, por estes ou aqueles motivos, não conseguiu lá ficar.

Último pensamento escrito do dia: “Diferentes de todos os outros, claro está, senão não seríamos todos iguais”.

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