sábado, 28 de janeiro de 2012



Sexta-feira (ibidem) de 23 de Abril de 2010 Hoje faço em texto indignação:
- A Segurança Social!
Do ministério também dito “da Solidariedade”!
Conheço vários que daí recebem os dez, e mais, sem trabalho, sem contribuições, e já vão na segunda geração a recebê-los.
Nestes últimos anos nada tem feito sentido na relação entre o trabalho, o deve e o haver. Só mesmo o evitar de gastos, a poupança e os investimentos em compras de ocasião, fruto da crise económica e da deflação.
À tarde, os Hortos, com grandes planos em mente. Cumpri-os todos numa empreitada de mais de seis horas, ajuda dos vizinhos à parte, na orientação no primeiro cultivo de abóbora, outros conselhos para o futuro mais ou menos próximo e a montagem do moto-roçador, a funcionar plenamente. Mas ia acabando comigo, o que passou pelo tabaco esquecido em casa.
Este trabalho da terra é do que mais sentido me traz à vida, absolutamente uma salvação. Sabe-me sempre a uma obrigação bendita e só pode sê-lo, pois venho sempre com a alma limpa.

A sua preocupação vem sempre com os três que estão sempre sem mim, comigo sem eles. Aqui, penso neles todos, ao longo do dia ruminei no que foi e no que gostaria de o ter a meu lado transpirando nos Hortos, sentindo-se a fazer obra, como quando lá foi feliz.
Que esteja bem, enxergando o que está a fazer, assim distinguindo-se, para que o possa fazer sempre.

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sábado, 21 de janeiro de 2012

“(Dias) De Terra & (Madrugadas) De Livros”: Quarta-feira (ibidem) de 21 de Abril de 2010 – N...

“(Dias) De Terra & (Madrugadas) De Livros”:

Quarta-feira (ibidem) de 21 de Abril de 2010 – N...
: Quarta-feira (ibidem) de 21 de Abril de 2010 – No meio de tempos ruins ainda há dias muito maus pelo meio, como que para não esquece...


Quarta-feira (ibidem) de 21 de Abril de 2010 No meio de tempos ruins ainda há dias muito maus pelo meio, como que para não esquecer. A chuva não permitiu a ida aos Hortos… para depois parar de chover e deixar tudo num limbo onde não nos conseguimos agarrar a nada.
Da jorna ficaram as contas anuais de 2009, ainda enviadas ao contabilista, uma visita ao banco e a tarde a recuperar o visionamento de gravações no Meo, sobretudo episódios antigos e programas do canal “História”. Mas, ainda assim, um dia de férias maldito.
Em dia com os empréstimos bancários a dez anos nos 5% de juros para Portugal e 8% para a Grécia – a que arrasta toda a economia europeia, assim assegurando da sua fragilidade –, a certeza da guerra contra os mais pobres, esmifrados pelos FMIs e quejandos, depois da vertigem da ideia de riqueza. O problema já era referido pelo Eça que gozava os remediados obrigados à despesa da casaca, luvas e cartola sem terem posses para isso. Assim nos vemos nós gregos também – ganha-se também a estreia das leituras de “Jogo Duplo” de David Ignatius e “Rommel: Primeiro Movimento”, de Jon Latimer com ilustrações de Jim Laurier. Este último, o segundo volume da colecção da II Guerra que fará o meu deleite nestas madrugadas de insónia ao longo dos próximos meses; o outro, presumo que mais um romance bem escrito e bem documentado a fazer a apologia do imperialismo americano, muito na senda da tradição do “Readers Digest”, mas de uma forma ainda mais inteligente. O inimigo é o de sempre, depois da queda do muro de Berlim, os regimes do Médio Oriente, neste caso o Irão. Presumo que seja mais ou menos isso que me espera, acompanhado de uma narrativa bem engendrada mas onde essa tomará todo o lugar da literatura propriamente dita. Os americanos nunca produzirão um escritor português.

E porque é o mais importante:

Manhã acordada quando me tocou à campainha arrancando-me do sono. Cumpriu a palavra, veio despedir-se para ir a (...), em princípio de seis meses a um ano. Mormente quase não termos estado juntos no último meio ano, exceptuando 0 fim de tarde e a noite de ontem, em que jantou cá em casa, a sua presença já me faz muita falta. Não me larga uma sensação de sobressalto a par daquela de vazio. Pareceu-me confiante, concentrado Fiz o possível por reforçar. Pareceu ter um esboço de estratégia. Arredia do óbvio, desencalacrada mas, outrossim, pensada. Pena que à última tenha quebrado a principal linha de orientação que o norteava, um possível mau prenúncio mas que, espero-o, afinal não importe. Na minha estremunhada saudação senti-o bebê-la em largo sorvo.
Que seja desta!

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012



Terça-feira (ibidem) de 20 de Abril de 2010 Terminado o “Terra”, de Hamblyn e “Hitler em Paris”, de Sheppard.
Do primeiro, com uma leitura final interessada mas por vezes displicente, duas notas maiores retenho: primeiro a recordação dos primeiros estudos precursores da sismologia moderna, com o terramoto de Lisboa de 1755, facto que recordei da Geografia da Faculdade; segundo, a verdade incontornável que os terramotos, as alterações climáticas, a actividade vulcânica e as ondas de maré, agora vulgarmente cognominados de tsunamis, do japonês, são fenómenos por demais recorrentes e até vulgares em escalas de tempo relativamente curtas. Só que, à distância de uma geração, muitas vezes esquecidos nos fundos da memória colectiva, sempre fazendo soçobrar a segurança das gerações vindouras.
Do segundo livro, a confirmação inequívoca de que a batalha de França não foi, de todo, um passeio para os alemães, muito antes pelo contrário, e que só a desresponsabilização criminosa dos políticos e das altas esferas militares quer francesas, quer inglesas (fora todos os outros), é que autorizaram a conquista do território francófono.
Rei morto rei posto. Amanhã, dois livros na linha de mira da minha atenção histórica e literária.

Ainda:

Depois de dias sob a influência de Saturno, a terminar com chave de ouro –  com um indeferimento de requerimento por mim metido há quase dois meses na Segurança Social e ainda uma situação surreal e inusitada numa drogaria que acabei por não permitir que me fosse vendido um equipamento de algumas dezenas de contos antigos –, reencontro com o rapaz mais velho até perto da meia-noite, juntamente com o meu amigo C., que me deu a boleia e fez o jeito de levar o equipamento (comprado noutro lado) aos Hortos que esperam por mim para a tarde do dia de amanhã.
Trabalho de enxada espera-me, com meia-dúzia de coisas a conseguir realizar ainda antes da ida, de fato e gravata, antes da ganga suja e da flanela. Mas não interessa. A sensação de dia feriado já há muitas horas me conforta, apesar da chuva que caiu grossa mas que não acredito me faça desistir. Só se choverem canivetes…

Ah, sim:

Fui espreitar a exposição de “Cartazes do 25 de Abril” aos antigos Paços do Concelho. Quis recordar aqueles do tempo pós-revolucionário que perfizeram parte da minha meninice, um tempo em que tudo era novo e surpreendente. Pretendia ainda fazer a comparação evolutiva com os dos anos seguintes. Espiga! Ninguém se lembrou de colocar dísticos a referir os anos a que cada qual se referia.
Isto é tudo a brincar às comemorações, como sempre.


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