Madrugada de sexta-feira, 06 de Agosto de 2010 – “Singras-te na vida”… É impressionante como o que diz a nossa professora do ensino primário é importante. Com muito efeito quando dito com alguma audiência.
Aconteceu na exposição de pintura para a qual recebi convite (ou melhor, a revista, é o que é) e que teve visita de candidato presidencial, mas cuja ida negociei durinho, via correio electrónico, ontem à noite. Reportagem, sim senhor, mas troco de um trabalho do artista; melhor: dos artistas, porque a exposição é conjunta e, após breve reflexão, a minha solicitação à artista tornava-se necessária por uma questão de coerência das coisas. Já com o acordo prévio dele, consegui, felizmente, o dela e conto com os quadros no final da exposição.
“Singras-te na vida”. Pois, mas com rija vontade, áspera objectividade e descarado pragmatismo, este último igualzinho àqueles que me pedem este tipo de serviço, com o argumento de que “é bom para a revista”.
Ouço-o num programa em reposição num canal noticioso. Sociólogo, continua a dar uma no cravo e outra na ferradura no seu comentário, sobre tudo, evidentemente. Já o fazia quando passou pelo Governo, nos idos de 70. Construiu uma carreira a falar mal do seu país. Porque é que qualquer rasgo de brilhantismo é sempre para aí direccionado? Porque o ouvem tanto? Masoquismo, só pode ser a resposta.
Pertence àquela geração que sustentou uma certa forma de intelectualidade no desprezo e na maledicência. Continuam, todos eles. O mais dramático é que não deixam de ter uma certa razão.
Madrugada de sábado, 07 de Agosto de 2010 – Vejo hoje que anunciam possibilidade de aguaceiros para segunda-feira. Será? No dia da Volta a Portugal em Bicicleta a passar por Viana, 40ºC, mais ou menos como nas últimas semanas, comigo a regar de dois em dois dias, há três ou quatro meses. Espero que chova. Fazia-me bem o descanso.
Madrugada de terça-feira, 10 de Agosto de 2010 – Em fim de dia (ou em início de madrugada, tudo é uma questão de perspectiva), do mestre Alfred Hitchcook uma bela peça cinematográfica que me escapou toda a minha idade: “A Cortina Rasgada” (“Torn Curtain”, no original que alude à por Winston Churchill cognominada “Cortina de Ferro”, em discurso ao Congresso norte-americano), com Paul Newman e Julie Andrews.
A cena da discussão das equações matemáticas na Universidade de Leipzig entre os dois físicos é genial e só por isso o filme valeu a pena.
Mas toda a película é de uma mestria a toda a prova, descontando as ingenuidades da época (1966) mas a que agora se opõe o exagero. Entre ambas as coisas, cada vez mais prefiro o então. Porque nem por isso deixava de tratar o espectador como um receptor inteligente, enquanto agora apenas procura impressionar os néscios.
Madrugada de quarta-feira, 11 de Agosto de 2010 – Continua a caça ao homem. Num país indiferente, doméstico e dócil perante um “Caso Freeport” agora fechado, sem culpados, o desposo do sorvedouro de centenas de milhões de euros dos bancos falidos, um julgamento do “Caso Casa Pia” de sentença eternamente adiada, o treinador da selecção é perseguido por um caso ocorrido antes ainda durante a preparação da equipa para mundial. Enxovalhado pela insuficiência que grassa o nosso dirigismo desportivo, médico, jurídico, enfim, federativo (os mesmos que resolveram de uma assentada, limpando a guardanapo e sorriso a agressão do anterior treinador brasileiro a um jogador adversário, à vista de todo o mundo), até com a secretaria de Estado do Desporto a dar uma mãozinha a todo o caso, o actual técnico apresenta em sua defesa homens de topo, tal como o eterno treinador do clube inglês, agraciado pela sua rainha com o título de cavaleiro do reino, e que diz que o português “é um homem bom”, acrescentando que, desses, “há poucos”.
Só à conta da intervenção deste velho terrier dos ncampos de futebol, o mundo volta a colocar os olhos neste país de mediocridades feito, que vai olhando a banda passar levando-nos couro e cabelo, enquanto apela ao (des)crédito da finança internacional.
Madrugada de quinta-feira, 12 de Agosto de 2010 – Desde a última rega, no crepúsculo do sol poente de segunda-feira passada, o fogo esteve nos Hortos. Não o pensei tão perto. Seguindo os rastos dos pneus dos veículos dos bombeiros, com alguma surpresa apreciei o mato queimado, a par de alguns pinheiros bravos, que bordejam uma das parcelas vizinhas. O fogo devastou toda a área para lá da via rápida, conseguiu atravessá-la e aí foi travado pelos soldados da paz que assim evitaram que as culturas fossem apanhadas no braseiro. As chamas ficaram a duas parcelas da minha e agora mais temo as bouças negligenciadas que confrontam a sul todo o comprimento do meu terreno.
Mas que aquilo merecia arder, merecia…
Aqui fica o prólogo da minha campanha do futebol mundial: chegam notícias da Coreia do Norte que o treinador da selecção foi, ou está, obrigado a trabalhos forçados e sujeito a maus-tratos pelo fraco desempenho da sua equipa. Na mesma situação estarão alguns dos jogadores mais proeminentes.
Tinha-o previsto, depois daqueles 7-0 com que selámos os seus destinos. Agora, aconteceu.
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