Meadela, segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009 – Baixas temperaturas para todo o país. Localidades de Bragança e Vinhais isoladas. Gosto do frio que me falta, cada vez, ao longo dos anos que passam e aquecem. O frio lava-me a alma.
Estive a ouvir até perto de meio a primeira entrevista do primeiro-ministro à TV, desde o início do ano Os jornalistas, esses, tidos pelo que de melhorzinho este país tem, menos capazes, porque levaram para a conversa a intenção e o pré-conceito, o que lhes condicionou a disposição e a atitude; também porque a sua linguagem, hermética; aquele, pelas boas e pelas más razões, brilhante, como sempre. Mas intelectualmente deslustroso. É pena!
Meadela, 3 de Janeiro de 2009 – “De Espanha nem bom vento, nem bom casamento”. Até pela radicalidade intrínseca do dito, me sabe a briga familiar.
Mormente o que me foi ensinado (e às gerações que me fizeram), ir a Espanha sempre foi algo de muito especial para mim, como que um regresso à mais antiga casa de família. Uma espécie de retorno a casa dos avós, bisavós… depois da emancipação. Por isso, e em última análise, não a temo. Mesmo nada! Mas sou capaz de lhe rugir como na mais bera briga de primos ou irmãos. Em última análise, também porque nos olham com paternalismo, mesmo quando fazemos as coisas melhor que eles. E é isso que irrita!
Meadela, Dia de Ano Novo de 2009 – Estou desde as 14h00 a ouvir o Concerto de Ano Novo transmitido de Viena. Quero gostar, mas escolheram Strauss com uma série de óperas politizadas; mas nem isso se nota, é música para debutantes e senhorinhas. Um chato, este Strauss, especialmente com esta chuva “morrinha”, lá fora, o tempo cinzento e frio…
Anunciam outro concerto de Ano Novo na TV para logo, às 23h00, uma “Ópera Preamium”, com óperas de Mozart, Strauss (sempre ele!), Wagner e Puccini. Vai ser realizado no Teatro Nacional S. Carlos com umas vozes e um pianista, tudo portugueses da Gulbenkian. Vou espreitar com a esperança de que possam ser melhores que estes senhorinhos vienenses.
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