Madrugada de quarta-feira, 28 de Julho de 2010 – Se não é o sacho e a sachola, o balde e regador, são as pastas, os livros e o computador. Estou condenado a esta forma física.
Madrugada de quinta-feira, 29 de Julho de 2010 – Está feito. A PT vendeu a sua participação na brasileira Vivo aos espanhóis da Telefónica. O assédio vindo de Maio passado teve hoje o seu desenlace após meses de negociações falhadas. Na vontade dos accionistas, tais ratos em navio a naufragar, de vender, o Estado, através de sua golden share conseguiu ainda segurar durante algum tempo a decisão de venda, obrigando os espanhóis a subir o preço de oferta que, depois dos cinco milhões e qualquer coisa de euros oferecidos inicialmente, acabou por conseguir finalmente a compra… por cerca de mais dois milhões.
O administrador executivo da PT, que sempre se opôs ao negócio, exultava à comunicação social. Percebo porquê. Nuestros hermanos não conseguiram encaixar a ideia de uma empresa portuguesa se opor com sucesso às suas pretensões. Sentem Portugal mais deles do que podemos ter a noção. Mas sem conseguirem alcançar o objectivo, semana após semana, mês após mês, mais não lhes restou que ir de encontro à valorização das acções e pagá-las a língua de palmo.
Mas o contentamento do administrador não se deve só a isso. É que com o dinheiro encaixado comprou a Oi, operadora brasileira de comunicações fixas. Perdeu 60% dos proveitos do grupo PT para os espanhóis, mas manteve a sua posição no mercado brasileiro. Agora é só transferir know-how e alargar a empresa às comunicações móveis, com certeza também capturando muitos antigos clientes da Vivo. Por isso a administração da espanhola Telefónica deve ter ficado a arrancar cabelos. Pagou a bom preço a possibilidade de arredar os portugueses do mercado brasileiro, mas saiu-lhes o tiro no pé.
No meio disto tudo a tão odiada pela direita política golden share do Estado português. Não fossem aquelas 500 acções que possibilitaram o poder de veto ao negócio e a Telefónica teria ficado com a Vivo a preço de saldo. Os grandes financeiros da treta que temos por cá teriam entregado o ouro ao bandido, como já o fizeram em 1580. São sempre estes, sempre os mesmos que têm vendido a retalho o nosso país, ao longo de séculos, a espanhóis, a ingleses e franceses, para sustentarem a sua incompetência.
No meio do desvario, me fico pelos Hortos. Hoje com a moto-bomba entregue ao representante para reparação, ainda durante a manhã, accionando a respectiva garantia. Foi amigo que cumpriu a promessa já com um mês e me deu a boleia à outra margem. Aturei a menina mal-formada da recepção da grande superfície que pretendia o original da factura já metida ao contabilista e que não queria aceitar a cópia como comprovativo de pagamento: menina que lá está da mesma maneira que poderia estar numa loja de pronto-a-vestir ou a servir cafés, e que achava que a factura “não dá para meter em despesas” (idiota ignorante!) – mas lá ficou a coisa, com certeza a mofar bastante tempo. Estas marcas alemãs montadas na China… é um mundo que é um horror, é o que é.
Lucrei da voltinha mais uns estrados em madeira para enriquecer o equipamento da infra-estrutura do terreno, a oferta do amigo a quem ofereci o café e a promessa de uma caixa de cebolas e uma abóbora; a melhor que o jeito, embora tardio, foi grande.
A Rega foi feita depois das 20h00, com regresso às 22h00, depois de tarde de trabalho na Redacção com volta anterior por Viana, e em que me graduei no Traje de Mordoma, o tema de capa da VS&C de Agosto. Relações públicas ainda feitas com colaboradora a garantir o tema de capa da edição de Outubro, com tema conveniente às comemorações dos cem anos da implantação da República.
Muito se faz sob 40ºC! E amanhã fico até às quinhentas pela segunda vez em três dias a montar a edição com A.
E os livros, ainda…
Terminado “O Livro Inacabado de Dickens”, de Matthew Pearl, a continuação da desventura alemã na Rússia com o início da leitura este terceiro volume da “Operação Barbarossa”, na saga dos nazis que, de vitória em vitória conseguiram chegar à derrota final, os loucos.
Mas não só. De nova encomenda recebida, que perfaz mais sete volumes para a nossa colecção neste mês de Julho, as primeiras páginas de “O Mensageiro”, de autor americano, Andy Andrews, o qual, traz escrito, é conselheiro do presidente Obama, sim senhor. Gostei muito daquele primeiro voltear de folhas. Ficou na Redacção, mas esta semana virá para casa.
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