sábado, 22 de dezembro de 2012


Madrugada de quarta-feira, 04 de Agosto de 2010 No intervalo da escrita criativa, aquando o ficheiro transfere para um dos discos portáteis, leio um livro enquanto aguardo ainda a chamada à secção gráfica da Câmara Municipal. Mais tarde, calço um sapato enquanto ajusto a camisa e aperto as calças, trincando o pão do lanche tardio.
Saí das notícias escritas no escritório em casa e da revisão de provas, e equipo-me para a rega a acontecer antes das 20h00, hora da penúltima sessão de montagem da maqueta da edição de Agosto da revista que ainda edito à escuridão do novo acordo ortográfico porque ainda não tive pachorra para isso (para além do desacordo, factor muito mais importante).
Lá fora desperta-me o vento quase suão, de semanas, a impedir-me a progressão rápida do velocípede, mas o boné antes perdido ajudará ao esforço do caminho para horinha e meia de balde e regador acima e abaixo.
A produção de abóbora poupa-lhe no peso do saco do hipermercado, o que para mim seria sempre suficiente. Comemos sopa a todas as refeições, um dos bastiões da perfeição que persigo.
Correrei rua abaixo depois do duche com pasta pesada, para abrir a porta da Redacção à designer para montagem até à meia-noite; e só depois o jantar. Aí mais uma hora de escrita, depois das 3h00 da manhã…
 Sou vinte anos com mais do dobro, sorrio ao que como, lamento o que não durmo e quero acordar todos os dias que acho pequenos; assim como à noite.
Quero viver 400 anos!

Mais um a pedir-me colaboração na revista. Diz que tem 16 anos e que quer ser escritor, mas já não tenho espaço para os que tenho; também o antigo colaborador mal-agradecido, mais de um ano depois a pedir-me a minha presença na inauguração da sua exposição de pintura. Quer o jornalista, não o homem.
Parvo que sou até devo aparecer; porque gostei dos trabalhos.

Dos emails trocados recebi livro de editora portuguesa. Surpresa: vasta colecção onde os autores portugueses dominam; os temas, aqueles que gosto. De nome “Zéfiro”. Tenho de saber mais, quero-os comigo todos os meses na página de divulgação de livros da revista.

Este comecei-o hoje mesmo. É o quarto com que me debato em simultâneo. Veio a pedido. Encadernação diferente, design a lembrar o que se fazia, do autor Rainer Daehnhardtm “Homens, Espadas e Tomates – Feitos Heróicos dos Portugueses nos Descobrimentos; As suas Armas e as dos Seus Adversários”. Já passei os olhos por várias páginas. Magnífico!

Acabo por isso a tempo “O Mensageiro”, de Andy Andrews, o tal conselheiro da presidência norte-americana. Há livros mais importantes do que outros, independentemente da sua qualidade intrínseca. Este foi-o, porque ajuda nas relações com as pessoas. Pequenos nadas de coisas óbvias, que de tanto o serem tornam-se difíceis de ver. Mas não apenas por isso, porque também pelas outras coisas, aquelas maiores, que de tanto o serem também se tornam difíceis de descortinar.
Sem oferecer milagres, coloca-nos noutras perspectivas relativamente aos mesmos problemas. Na verdade, fiz um reconhecimento de muitos aspectos que têm feito parte da praxis da minha vida, evitando colisões, procurando o melhor ângulo para ultrapassar a dificuldade, colocando-me dentro de outrém, de modo a perceber melhor. O autor tudo isto sistematizado numa série de situações vivenciais bem generalizadas, se bem que o cunho norte-americano se inscreva no seu discurso de uma forma indelével, dando ênfase às questões relacionadas com a competição entre as pessoas.
Uma leitura bem aproveitada e cuja velocidade de leitura fiz diminuir, para que durasse mais tempo.

Os livros, os livros. Os dos outros e os meus. Estes são este, o outro, aquele, mais a poesia a vários e ainda o resto, a única parte que revejo e corrijo porque publico na VS&C. Roubo horas ao trabalho, à leitura, ao sono e até por vezes ao amor. A todos os amores, sentidos ou obrigados.
Mas que necessidade, que premência… Vício será? Adrenalina descarregada a conta gotas, inundante de furor de vida, de realização cumprida para ser. É liberdade e que liberdade é! Vogo os desejos da vida, no vértice e canto de cada palavra encontro nova ideia, na estrada da frase um novo caminho, vaso comunicante de essência e vigor, mundo novo admirável, sobejo de cor e vontade feita, inscrita.


Madrugada de quinta-feira, 05 de Agosto de 2010 Quero descansar, sentir férias, mas os trabalhos auto-impostos não me dão tréguas e, ainda por cima, dão-me prazer a todos os níveis: na antecipação, na ansiedade do antes e do durante, no esforço do fazer e, finalmente, na missão cumprida. Sinto-me sempre um garoto desorientado. Não consigo mandar tudo às malvas como os outros.

Escrevo no “outro lado” desde há três ou quatro dias consecutivos. Mais de uma hora depois das três, três e meia da manhã. Começo e não consigo parar. Que espiga!

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