Madrugada de segunda-feira, 3 de Maio de 2010 – Hortos, hortos, hortos, felizmente. Depois, o regresso à poesia, por onde já não andava há algum tempo. Cada vez mais feliz comigo mesmo e com o que construo.
Creio que deixei de lutar contra o que não posso mudar e aquilo que não quer ser mudado. Como me agrediriam se soubessem disto…
Madrugada de terça-feira, 4 de Maio de 2010 – Em fim de dia, nas primeiras horas da madrugada, um último zapping antes do encontro diário, na cama, com o notebook. Paro. MST, pesado, um (ainda) falso indolente – muito marcado pela noite, lembro-me dele aqui há uns anos a chegar a determinado bar na cidade do Porto, madrugada dentro, rodeado de três beldades, duas com idade para serem filhas dele e outra de idade indeterminada, e a abancar com garrafa de whisky reservada que ficou a emborcar muito depois de eu ter ido embora – entrevista João Garcia, um dos únicos dez homens do mundo a escalar já não sei quantos picos com mais de oito mil metros. A sua excepcionalidade custou-lhe parte dos dedos das mãos e dos pés, do nariz, das orelhas e da cara, mas insiste. Nas altitudes atingidas, foi o português que mais perto esteve do Céu. Não me lembro de um presidente da república alguma vez o ter agraciado com uma comenda, coisa que recordo de dois pilotos que chegaram, timidamente, a andar pela Fórmula 1. O primeiro deles só terminou uma corrida, se bem me lembro.
João Garcia, humilde, responde. Na camisa, sobre o lado direito, o logótipo de um banco português, muito falado pelos escândalos financeiros que fizeram os seus accionistas perderem milhões, enquanto os vigaristas dos administradores que o enterraram estão reformados esses milhões de euros e continuam abrigados por dezenas de guarda-costas pagos com o dinheiro dos espoliados.
Desgraçado país este que deixa um homem destes transformado numa montra triste dos escroques do mundo.
*
Que fazer senão ler? Tropeçamos em ritmos e golpes de rins a dar torcicolos, um pouco por todo o lado
ResponderEliminar