sexta-feira, 2 de março de 2012


Madrugada de quarta-feira, 28 de Abril de 2010 Está tudo louco! A bolsa de valores bateu ainda mais fundo depois das perdas de ontem das quais não houve qualquer recuperação. Títulos com quase dez por cento em perdas, só hoje, depois dos quatro e cinco por cento de ontem!
Uns bandidos, aqueles que nos meterem neste crise económica e financeira, baixaram o rating de Portugal de A+ para A-. Uma qualquer agência financeira que, menos de dois meses após as últimas avaliações por outros quejandos, diminuiu ainda mais a credibilidade da economia portuguesa. Os abutres acercam-se do nosso país depois da Grécia. Querem-nos fazer pagar ainda mais caros os juros da dívida pública deste país que, muito por sua culpa, é verdade, funciona à conta do crédito alheio.
Os analistas internacionais mais reputados, dizem que se trata de um “efeito de contágio”. Cá para mim, estão-nos a tossir para cima.
Ao mais antigo estilo usurário, tais hienas, acercam-se dos mais débeis procurando alimentar-se desta economia do espaço euro de fora para dentro, chupando ossos e tutano para amenizarem as suas próprias perdas fruto da mais obscena ganância numa orgia de cobiça torpe que tudo exaure, tudo secando à sua volta. Bandalhos!
Esta é a guerra dos poderosos contra os fracos, cuja semente é a avidez dos primeiros que não querem deixar de o ser e dos segundos a quem fizeram crer que poderiam andar de mãos dadas consigo, vestindo iguais luvas, encimados por semelhantes cartolas, também transportando as mesmas bengalas. Loucos uns e outros!
Só um país unido poderia fazer frente a tão ignominioso ataque. Mas é uma guerra sem hipóteses pois, tanto governo como oposição, há muito perderam qualquer tipo de autoridade que nos possa mobilizar. E quem deve a trinta e quarenta anos a bancos tecnicamente falidos, num Estado que atestam próximo da bancarrota, não têm ânimo para o que quer que seja, quanto mais acreditar. Seis mil milhões de euros em juros que esta país tem de pagar todos os meses aos estrangeiros! Quem pode criar riqueza assim?!

No meio disto tudo os Hortos onde passei toda a tarde, Abri o poço pela primeira vez e apeteceu-me beber aquela água. De regador enchido a balde, espargi o mais raro elemento do universo pelas hortas onde, hoje, juntei pés de meloa. Seguir-se-ão os de melão, pois a linfa da vida não lhes há-de faltar, graças a Deus, é caso de o dizer.
Da dura labuta ficou-me potenciada a dor com que convivo desde a mancebia, nestas costas que doem como que se de papel fossem, mas que resistem, estóicas, sempre endurecendo as fraquezas intrínsecas. À noite nada sentia elevando-me a uma super-humanidade que, aliada ao trabalho a que me elegi, quase me elevava, eufórico, a uma sobre-humanidade. Pelo menos desta, desnorteada, em que me vejo incluso…

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