Madrugada de quarta-feira, 5 de Maio de 2010 – Na minha adolescência tive quem me fizesse ler o “Quando a China Acordar”, escrito muitos anos antes dessa leitura. Hoje, o Império do Meio constrói 40.000 quilómetros de estradas e pontes todos os anos, a circunferência da Terra. Consome um terço de toda a produção mundial de aço e metade da de betão.
No século vinte começaram por piratear em força a indústria alheia, tal como a Inglaterra de quinhentos e seiscentos o fez com o comércio marítimo e que, dessa forma, acabou por obter o seu império. Agora, a pirataria é outra, tecnologia, produtos fabris, processos de fabrico e patentes…
Quantos terão a noção da vaga que se agiganta e que a todos engolirá?
Madrugada de quinta-feira, 6 de Maio de 2010 – Apanhado de surpresa pela morte do João (Barbosa) Fernandes, fundador e director do jornal regional “Falcão do Minho”, na passada segunda-feira, ocorrida no Centro Hospitalar do Alto Minho depois de internamento de urgência na noite anterior. Diabético, não resistiu a complicações cardiovasculares.
Escrevi ao longo de quase 15 anos naquele periódico e nele me projectei. Agradeço-o ao Fernandes, mormente tudo o resto.
Que com a sua alma em paz Deus o tenha consigo.
Madrugada de sexta-feira, 7 de Maio de 2010 – Primeira parte do dia nos Hortos a fazer a meia-rega, urgente, que se tornou quase inteira; um segundo período, com início mais tardio do que o que pretendia, de muitas horas de escrita quase criativa, revisão de provas; um terceiro, a partir da hora de jantar, sem o último, a maquetar com a A. até perto da meia-noite, a rever, e ainda a escrever um sôfrego editorial a arrancar do zero.
O dia solar em ansiedade, entrecortado nos deveres; entre banho duas mudas de roupa, as botifarras para depois a gravata e feijão-fradinho em monte imenso no prato após as 0h00; a seguir, então, a sensação de remanso, a demorar a chegar, só mesmo à razão de ansiolítico.
Deus meu, como amo estes dias na minha vida! Quanto mais poderei almejar, já quase chegados os 43 verões, primaveras, outonos-invernos, quero lá saber, respirados antes, bebidos em larga taça agora. Quero estes dias todos, os próximos e os longínquos, bem lá longe, ai de o corpo os não quiser! (porque também vive deles)
Ainda: contas aos dividendos da Bolsa hoje chegados, Poirot na TV, leituras e escrita, segunda ceia e algum tabaco até ao início de sono, puxado à força, à espera do dia de amanhã. Pode ser de férias ou outro igual. Quero cá estar!
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