sábado, 24 de março de 2012



Madrugada de domingo, 2 de Maio de 2010 A Sara tem uma energia interior impressionante. À sua beira sente-se vida. Não me desfez o encanto e só por isso entrevistá-la valeu a pena. Mas não tenho dúvida de que esta geração, em torno dos vinte anos, a idade dos meus filhos, é muito mais conservadora do que foi a minha naquela idade e antes de isso.
No festival de Vilar de Mouros, em 84, desnudava-mo-nos, no rio Coura, a exemplo da geração mais velha, enquanto este pessoal já não o faz em lado nenhum da forma libertária como tivemos a sorte de viver a vida. Naquele tempo, o que éramos estava bem patenteado, por exemplo, nos equipamentos desportivos… que hoje em dia tapam tudo. O advento da SIDA acabou com a revolução sexual de vez, mas esta geração ainda não teve tempo de vida suficiente para perceber isso e, por isso, Sara tentou-me explicar que os jovens encontram-se e despem-se. Eu sorri-lhe e disse que toda a gente sempre se despiu. Isso foi pouco antes da entrevista que gostei muito de fazer. Só por dizer que as naturais (?) desconfianças perante os jornalistas a impediu de ir um pouco mais longe nas respostas dadas, que lhe saíram, na maior parte das vezes, estereotipadas, como aquelas que ensinam aos jogadores de futebol hoje em dia. “O importante é a equipa”, “sem os outros tal não resultaria”, “isto é o trabalho de todos”. Se algo se perdeu foi por aí, mas nada que tenha ensombrado o trabalho, que evidencia uma interlocutora arguta e perspicaz, que foi ouvida em directo aos microfones de uma das rádios locais – onde tenho programa mensal – e agora pode ser lida em letra de forma nas páginas da minha revista, nesta interessante entrevista directamente vinda da linda boca amorangada de uma das meninas mais simpáticas deste nosso Portugal.

Merece nota dizer que hoje vi quase de enfiada “Lágrimas e Suspiros” e “Morangos Silvestres” de Ingmar Bergman. Dou nota dos filmes, do realizador e de mim próprio, assim também dando da eternidade das coisas belas.

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