A cada memória sua epígrafe. Encontrei o nome destas:
“(Dias) De Terra & (Madrugadas) De Livros”
(1 de Dezembro de 2010)
No ano em que fiz os meus dezasseis anos li 118 obras completas. Dando continuidade à leitura de toda a obra de Eça de Queiroz, peguei ainda na de Almeida Garrett e segui por aí fora, a par da costumeira leitura, em tardes de pão com manteiga e Enid Blyton com o seu “Os Cinco”, “As Gémeas”, “Os Sete”, a colecção “15 Histórias”, de espessos volumes, o Emílio Salgarei…
Foi o ano em que me encontrei com a literatura brasileira numa obra de Machado de Assis, os poetas portugueses novecentistas, o António Nobre e o Guerra Junqueiro. Foi o ano em que li em três dias, emocionado, “Os Miseráveis”, de Vítor Hugo, em colecção do Círculo de Leitores a quatro volumes, se bem que tenha feito alguma batota na descrição da Batalha de Waterloo.
Ficou-me aquele número, menos muitos dos títulos e respectivos autores e sempre lamentei não ter feito o registo. Também porque gostaria de ter todos esses volumes na minha biblioteca pessoal, uma vez que a maioria pertencia a meus pais.
Porque os livros são parte daquilo que eu sou de uma forma muito densa e profunda (andaram sempre comigo de casa em casa e até de cidade em cidade), a partir das datas mencionadas à frente comecei, nestas páginas, a fazer o registo das minhas leituras com título, autor(es) e respectivas datas de leitura, com pequeno acrescento crítico ou sinopse. Depois vieram umas notas do dia, mais uns pensamentos, a que se juntou uma ou outra apreciação a um documentário visionado ou filme apreciado. De permeio, notas soltas (por sistema) do meu alltar de alma e expandir de corpo e mente na lavoura feita no meu terreno dos Hortos, na vizinha freguesia de Santa Marta de Portuzelo, Viana do Castelo.
De tudo isso e de mais alguma coisa se foram juntando as páginas que se seguem, que acabaram por ser encimadas por título encontrado dois anos após o seu início.
E cá estão (quase) todas elas, depois de muitas aberturas e abandonos nos tropeços do caminho, inaugurado finalmente. A ver vamos se na criação limpa e fielmente na rotina. Para nos honrarmos a nós mesmos.
Em 17 de Dezembro de 2010
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