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Porto, por dia da segunda quinzena de Dezembro de 2008 – Vim à “cidade Invicta” dar uma aula na Escola de Jornalismo do Porto. Vejo, nos sofás de descanso e nas mesas da “praça da alimentação” do centro comercial “Shopping Cidade do Porto”, senhores sérios com os seus novos computadores ultra-portáteis. É hora de interrupção no trabalho para almoço. Olho para eles e preocupo-me. Preocupam-me estes senhores bem vestidos a brincarem, positivamente, aos computadores, do alto dos seus cinquenta, sessenta anos. Acho que quem veste assim e se senta no mundo com aquela arrogância, devia era estar a trabalhar com os seus brinquedos novos. Mas olham para eles como quem já passou pelos menus todos ou, pelo menos, pelos óbvios, os que utilizam todos os dias. Parecem não saber mais, que não conseguem ir mas longe com aquilo. Acho que deviam sabê-lo. Usam óculos de finas hastes, trazem largos anéis em ouro nos dedos anelares e transportam a barriguinha da estabilidade instalada há muitos anos. São técnicos e empresários, patrões e quadros de empresas que eu entendo que deviam ter algo de útil para fazer com as máquinas novas. Pergunto-me que exemplo darão, todos os dias – tal como este dia –, aos seus empregados e subordinados, que são todos os outros? Senhores que até comem na mesa ao lado e os observam, note-se, sabendo de antemão que chegarão ao gabinete sempre meia hora depois... idos da brincadeira com os seus computadores novos.
Meadela, dia seguinte, Dezembro 2008 – “Hallmart” por “Wallmart”! Detesto estas legendagens da TV, traduções de meninos e meninas que não sabem nada do que andam a fazer. Nem sequer da cultura da língua que traduzem; mesmo aquela popular.
Meadela, 31 de Dezembro de 2008 – Último dia do ano. Dou os ares frescos da noite a respirar à I., chamo-lhes “uns dos cheiros de Viana”, mas não posso deixar de pensar que, quando dizemos “Viana” há um aroma que vem com o nome da cidade.
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