Meadela, terça-feira, 3 de Março de 2009 – À aproximação de uma operação cirúrgica ao mais velho, rememoro um SMS que me enviou há um par de anos (mais) quando ia ser intervencionado, já não me lembro a quê. Dizia, na antecipação à eventualidade pior: “Gosto muito de ti”. Agora, rememorando-o, penso que nunca foi isso que esteve em causa, mas a sua capacidade de o demonstrar positivamente.
Voltei hoje a este diário e recuperei as notas escritas dos últimos dois meses, que transcrevo com pequenos acrescentos. Que paz se expande no meu peito! Só mesmo comparável ao prazer que quase me derruba quando estou nos Hortos.
Felicidade é isto. Na vida, só temo que me julguem cobarde.
Meadela, segunda-feira, 2 de Março de 2009 – Vejo no noticiário o empreendedor inglês que também se terá enredado no “Caso Freeport”, senão criado boa parte da teia. Encolhido, meio-sorriso, sai das instalações da PJ, sob as flashadas dos jornalistas. O caso eterniza-se e o país escorre todo, indolente, para a triste figura do peão estrangeiro, assim como que se redimindo da sua crise existencial de não saber bater o pé, sonantemente, e dizer Não!
Mais à noitinha, noutro canal, um debate com os casos BPN e BPP. Um chorrilho de leviandades, crimes, com um fluir horrífico de injustiças e maus juízos governamentais. Porque não injectar o dinheiro que está a ser canalizado para os bancos, para as famílias e empresas? Estas pagariam os seus empréstimos à banca e tudo ficaria contente…
Tenho uma pena enorme deste país que amo, pequeno em tudo, mas enorme em tantas coisas.
Meadela, por Fevereiro – Esquadras assaltadas, polícias despojados das suas armas na rua; agora, um assalto a um tribunal que, afinal, está longe de ser o primeiro (ou o último, digo eu). Fatídicos paradoxos?
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- Então porque é que és de esquerda?
- Porque me está tudo à direita.
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