ORAÇÃO
Obrigado meu Deus
Por me ouvires
E me dares
O descanso das lágrimas,
A razão do bom senso
E a paz para falar contigo
E por saber regressar
Sempre a mim
Obrigado, meu Deus
Por me fazeres sentir
Que existo
E ser feliz com isso
Perdoa-me o pecado da presunção
Porque agradeço a vaidade que sou
O prazer que sinto
E que me impele a viver forte
Obrigado por desviares de mim
Os escolhos afiados
Que matam
E me tornares poderoso
Na inflexibilidade em que por vezes vivo
Obrigado por me fazeres ser melhor
Quando à noite o desespero
Quer tomar conta de mim
E ajuda-me a ajudar os outros
Quando exiges que me segure
Dá-me a espiritualidade
Quando preciso de ar
E o ar quando sinto
A alma desfeita
Por tudo o que sou te agradeço
Mesmo quando me sinto desvanecido.
*
Em fim-de-semana – Amo-a também porque com ela revejo todos os bons progressos que senti nos outros dias.
Vaidade – Isto de haver ídolos, não é que não procurasse (andasse à procura); mas só me encontrei a mim próprio. Tenho-me encontrado a mim.
Por Dezembro 2008 – Só acredito no Torga porque todos os outros usam artifícios. O Torga é o que diz. Até na poesia o máximo que faz é dizer “… uma moça que eu cá sei”.
Em Torga, até as metáforas passam a comparações.
*
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