quinta-feira, 23 de agosto de 2012


Sábado, 19 de Junho de 2010 Recordo aqui, hoje, o passamento do poeta vianense António Manuel Couto Viana (1923-2010), falecido no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, na terça-feira dia 8 de Junho último, depois de complicações surgidas num pé, o que ficou, pois uma perna já lhe havia sido amputada. Tinha 87 anos.
A notícia só saiu no principal jornal de Viana oito dias depois. Após o falecimento, na quarta-feira, dia 9, o corpo esteve depositado na casa mortuária da paróquia da residência da família, na igreja de Fátima, tendo aí sido visitado por algumas centenas de pessoas. A missa de corpo presente foi celebrada por um padre franciscano, director da Livraria Franciscana de Cedofeita, no Porto.
Foi na madrugada do dia seguinte, quinta-feira, que se fez a trasladação para a Princesa do Lima, sua cidade natal, para as exéquias a realizar no dia seguinte. A chegada do féretro à cidade de nascimento só aconteceu por isso durante a noite do dia 10, quinta-feira, Dia de Portugal, no silêncio da noite e debaixo de mansa chuva, sem que a urbe notasse, também porque em grande parte não sabia.
Foi a enterrar na manhã seguinte na igreja de S. Francisco da Ordem Terceira, com missa do Sagrado Coração e presença do bispo. O Presidente da República, o Ministério da Cultura e a direcção da Sociedade Portuguesa de Autores enviaram telegramas que foram lidos por Alberto Antunes Abreu, responsável pelo elogio fúnebre. Depois foram lidos poemas da sua lavra e houve momento musical pela Academia de Música Fernandes Fão, de Ponte de Lima e Âncora. Presentes as autarquias de Viana do Castelo e Ponte de Lima, a Casa das Artes dos Arcos de Valdevez, a Confraria Gastronómica do Minho, de que foi o primeiro juiz, e a Ronda Típica da Meadela. Familiares, amigos e conhecidos.
Não terá sido mau. Dos poetas alto-minhotos, este era um dos dois obrigatórios.

Assim como os bons amores dão maus negócios, direi que um trabalho produtivo resulta numa família difícil. Tem sido assim comigo. Quanto mais produzo, menos me entendo com os meus e vice-versa. Mas não creio que seja algo que parta de mim. Parece-me é que as coisas são naturalmente assim mesmo e não vejo forma de dar a volta a isto.
Sou o primeiro a procurar virar o bico deste prego, até a tentá-lo substituir por parafuso antecipadamente, mas nunca sai a solução, como que de uma constante se tratasse e que me escapa ao controlo, igual àquela que, lá fora, põe o vento a rugir noite dentro depois de um dia calmo de primavera-verão.

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