sábado, 1 de setembro de 2012

    
Madrugada de domingo, 20 de Junho de 2010 Bem vistas as coisas, o problema dos livros é que acabam; por isso esta “Terra & Livros”, que não terá fim. Pelo menos enquanto eu cá estiver.
Hoje terminei o “Jack Kerouac – Biografia”, de Yves Buin. Fi-lo durar o que pude e ainda esperei um par de dias para ler a notas finais e os anexos. Tão cedo não haverá obra em que me projecte tanto.
Agora, pego n”O Livro do pastor” de Joann Davis que garante em contracapa que “… por vezes o tesouro que procuramos esteve sempre dentro de nós”. Um pequeno ridículo do pessoal do Marketing, mas o que deste espero é muito mais do que isso. Se mo der, referirei mais.
Também pego a duas mãos, de Jeff Rubin, o “Porque é que o seu mundo vai ficar mais pequeno”, que procura relacionar o preço do petróleo com o suposto fim da globalização. Há coisas que já não voltam para trás em normais condições, mas o empenho do amigo que me meteu na livraria para o comprar e oferecer, faz merecer bem a minha leitura, outrossim porque tudo tenho a ganhar, evidentemente. E cheira-me que é daquelas coisas que leio em três tempos. A ver vamos…
É tudo isto a produtividade, com leitura dos jornais de manhã, filme na primeira metade da tarde, trabalhos agrícolas na segunda, resumos do dia futebolístico e noticioso à noite, e estreias na leitura de madrugada. O resto é que vai menos bem, tirando o esforço de trabalho que, insistindo, resulta sempre.


Domingo, 20 de Junho de 2010 Realmente a vida é uma sequência isostática, sempre com conta, peso e medida. Depois daquela leitura tremenda de sexo, drogas e literatura (ainda Jazz, delirium tremmens e morte, o que daria um bom título), este “Livro do Pastor” que me aquece as mãos e a mente na sua simplicidade e vidência. Que coisa linda. Se ainda há pouco li do desvario destrutor, agora embala-me a sensatez edificante.

José Saramago foi a enterrar, no cemitério do Alto de S. João, em “cerimónia privada”, sob fortes aplausos. Não, minto, foi cremado. Há cravos e a reportagem fala de 400 e 500 pessoas. Terão sido as suficientes. Eu por cá fico a pensar que lhe foi atribuído um Nobel. Não deverá ser trasladado para o Panteão Nacional? Mas o Presidente da República não esteve presente – apesar das presenças dos “Ex” Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio –, minimizando o facto.
Imediatamente, ligo o conteúdo das entrevistas, reportagens e memórias transmitidas por ocasião do seu falecimento, enquanto leio as últimas páginas da biografia de Jack Kerouac. Quem ouve estas notícias, fica a saber bem do processo de polémica que se viu envolvido (e se envolveu); tal como Kerouac, bem evidenciado neste livro biográfico. Mas falta algo comum a ambas as coisas, nas notícias de anteontem, ontem e hoje e o livro que agora termino. Há muito pouco sobre as obras propriamente ditas. E, em última análise, acerca dos homens e do que os determinou.

Ouço Medina Carreira, em programa reposto que gravei para I. ouvir, e ouço coisas fundamentais. Entre outras, que não temos os meios para criar riqueza. Fala de pontualidade e organização. Ainda há menos de um ano eu o dizia a um pintor septuagenário. Dizia-lhe que, a propósito da crise económica, que não tínhamos meio de sair disto. Não quando nem sequer somos capazes de chegar a horas, quer seja para o trabalho, quer seja para um encontro lúdico com um amigo.

Em fim de tarde (que para mim é pelo telejornal da “dois”, pelas vinte duas horas) reitero a minha teorização da isostasia feita ontem. Quanto pior me é um lado, mais faço pelo outro.

O “L’osservatore Romano” foi demolidor para com José Saramago. Ligado aos saneamentos de jornalistas do “Diário de Notícias” – não-alinhados com a corrente comunista que assolou os órgãos de comunicação social no período do pós-25 de Abril, jornal nacionalizado para onde foi designado director –, o escritor foi acusado pelo Vaticano, através desse seu órgão oficial, pelo punho de um jornalista (Cláudio Toscano), que o acusa de “populista extremista”, lembrando que esqueceu “a memória do ‘gulag’, das purgas, dos genocídios, dos ‘samizdat’ culturais e religiosos”.
Durinho, o tipo, tão duro quanto Saramago foi para com a igreja Católica, cada vez mais e à medida que a idade progredia, sabemo-lo. Excepções como aquela feitas, já não direi o mesmo do pensamento cristão.

*

Sem comentários:

Enviar um comentário