Madrugada de sábado, 12 de Junho de 2010 – Abertura do Mundial de Futebol 2010. No extremo austral, toda a África rejubila, como uma nação, ao som das “vuvuzelas” que ecoam por todo o globo. A África é uma nação. E só aí o sorriso dos adultos é igual ao dos mais pequenos.
Esta África do Sul bem pode ser o paradigma de todo o continente, mas também vértice do mundo. Na terra daquela alegria, uma equipa de jornalistas portugueses, e duas de futebol, da Grécia e da China, já foram roubadas. Um fotógrafo português chegou a ter uma arma apontada à cabeça. Hoje, foi a selecção do Uruguai que viu desaparecer muito material. Enfim, uma montra punitiva por gerações de imperialismo ocidental e décadas de apartheid.
Nos dois primeiros jogos, dois empates. Um pouco como por todo este mundo, encalacrado.
No passeio de trabalho, ao norte, até à Galiza, em ir e voltar, conversámos, eu e o companheiro de viagem, sobre a vida. Resume tudo em si e aí concluo: individualismo, inerentes futilidades e consequente decadência. A trilogia do desastre impera enquanto os sobas de hoje em dia rapam os últimos milhões do fundo do pote sob o olhar cúmplice dos régulos.
Madrugada de domingo, 13 de Junho de 2010 – Dia importante nos Hortos: estreei o motor de rega após muitas dificuldades com o material, no meio de muito improviso. Depois da chegada do vizinho, tudo se compôs e a coisa correu. Que prazer ver a água correr, escavar os regos e ver a terra beber. Do resto já reza a história da banca da cozinha. Voltei carregado de frescos que são cada vez mais, até já dá para oferecer a parentes e amigos, marca de quem sou. Também os primeiros brócolos para surpreender I. E que feliz ficou.
Já enumero o que do meu suor – literalmente – há e o que há-de ser: azeitonas, tangerinas, maçãs, limões, alfaces de três variedades – vermelha, frisada e romana – cebolas, nabiças, abóboras, melão, meloa, coube lombarda e brócolos, salsa, funcho e louro… e mais alguma coisa há-de haver além do pinheiro e dos carvalhos. Ufa!
Tarde – O comité organizador dos jogos do Mundial admite proibir as vuvuzelas nos estádios durante o resto da prova. Parece que os jogadores se desconcentram, que são… irritantes. A FIFA nunca percebeu o que era ir para o continente africano. Espero que não transformem o Mundial de África num Mundial jogado em África, somente.
Entretanto, depois de uma Argentina à sua altura, a Alemanha, que não tem sido falada pelos comentadores desportivos, já espetou quatro secos à Austrália…
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