sexta-feira, 27 de abril de 2012


Madrugada de quinta-feira, 13 de Maio de 2010 Dia de Maria.
Reflicto nas palavras do Papa: “A Igreja está aberta, em colaboração com quem não marginaliza nem privatiza a essencial consideração do sentido humano da vida”. Acrescenta: “Não se trata de um confronto ético entre um sistema laico, mas uma questão de sentido à qual se entrega a própria liberdade. O que divide, é o valor dado à problemática do sentido e a sua implicação na vida pública”.

Antes sempre de olhos encovados, parece vivificado desde que chegou a este cantinho à beira-mar plantado, a expressão limpa e clara. Nunca o vi sorrir tanto e durante tanto tempo. E depois, estas palavras que me falam ao ouvido, às culpas dos gananciosos, à esperança dos empobrecidos…
Parecem-me transparentes como a água que se quer privatizar, frescas como os jardins que se fecham ao cidadão comum das grandes cidades, airosas como a atmosfera por cima dos smogs dos grandes centros fabricantes dos latifundiários industriais de hoje em dia.
(há quem me diga que, aqui, o fulcro da questão é o assunto do “aborto”…).
Hoje aceito melhor este que será o Papa desta minha segunda (ou terceira, ou até quarta) etapa da minha vida. Sê-lo-á muitos anos, com certeza, menos talvez que o anterior, mas muitos também. Até porque, de ano para ano, os meus anos tornam-se mais importantes para mim… se bem que menos, para os outros.

Reflicto – na condenação em primeira instância do reformado da GNR, agora ourives, e que acabou por balear mortalmente um dos dois assaltantes do seu estabelecimento, que perseguiu, quando já se encontravam em fuga na viatura. Testemunhas dizem que o primeiro tiro foi disparado pelos meliantes. O caso vai a segunda instância. Mas para o que interessa: num país onde se condena assim, é, de facto, difícil vulgarizar-se o assassínio, como nos Estados Unidos onde a pena de morte consubstancia a legitimidade do assassinato no subconsciente colectivo. Nenhuma justiça em nenhum país do mundo mata tanta gente; nenhum país do mundo vê os seus cidadãos a matarem-se com tanta facilidade.

Termino a leitura de “Jogo Duplo”, recreativo e actual. Começo “O Livro das Almas”, de Gleen Cooper, um romance histórico que, creio, está na linha daquilo foi vulgarizado pelo “Código Da Vinci” do Dan Brown. Este, a sequela de “A Biblioteca da Morte”, do primeiro autor, que já me aguçou a curiosidade. Gostava desta linha de narração ainda a humanidade acreditava conhecer o futuro próximo e o mais longínquo, o que também passa pelo efeito de retardamento que este país sofre – de cerca de vinte anos, no mínimo –, apesar dessa distância se estar a encurtar. Espero boa leitura.

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