sexta-feira, 13 de abril de 2012


Madrugada de sábado, 8 de Maio de 2010 Caiu, finalmente, depois de dias de promessas. De manhã, os chãos pouco húmidos ainda me fizeram duvidar, não fosse da orvalhada da noite a pagar os juros do empenho. A parka utilizada de tarde também não ajudou ao prometimento da meteorologia, quem perdeu água fui eu, pela transpiração. Mas ao fim da tarde deu um ar de sua graça, adiantando-me pelo menos o dia de hoje, pelo que pude fazer a leitura dos jornais atrasados.
Das humidades chegadas, a garantia de vida nas hortas sem o meu sopro presente. E se as promessas acima se cumprirem, garantido ainda o viço que só surge com o polvilhado da água caída do céu, que dezenas de regadores não compensam.
Cada vez é mais fácil perceber porque muito se matava por ela.

Pouco mais de três horas em cafetaria do centro comercial, pagas pelos sessenta cêntimos do café a self-service, a deixar a leitura atrasada em dia. Pagou por isso, mas também pela experiência há muito não tida assim. Dois ecrãs sintonizados distintamente com volume de som a fazer ouvir ambos, sobre as vozes elevadas das mesas sempre cheias a rodas de clientes que se querem fazer ouvir; ainda os sons da louça de cafetaria vindos de dentro do balcão. Uma violência aos ouvidos de que já ninguém dá conta. Mais violento ainda do que o nível já pouco aconselhado do meu Mp3. Perturbador.


Madrugada de segunda-feira, 10 de Maio de 2010 Na “2” da RTP, a final do torneiro do Estoril, em ténis. O catalão Albert Montañes, actual campeão deste torneio, defronta o nacional Frederico Gil.
Primeiro set para o espanhol, por 6-2, com o português a ser completamente apanhado em contrapé, deslumbrado com a chegada à final do torneio. Equilibra, a muito custo, no segundo set, que vence em sobre-esforço por 6-7. No último, Montañes recupera 0-3 até a vitória por 7-5 que o torna bicampeão.
Muito apoiado por um público pouco correcto para o adversário, Gil não teve arte, engenho ou cardio para “autonómico” de Espanha, que se fechou sobre si perante as impertinências da assistência, falando consigo próprio, para seu alento. Os jogos ganhos pelo português, especialmente no segundo set e no início do terceiro, deveram-se em grande parte aos falhanços do espanhol. Depois, a falta de preparação física fez o resto.
Esta displicência bem à portuguesa é por demais caracterizadora, um verdadeiro drama nacional. Paradigma disto mesmo, o rapaz – notou-se pelo estilo e pela forma – nunca será melhor do que foi hoje e o pior disto tudo é que se trata do melhor tenista português de sempre.

Cinco anos depois o Benfica volta a ser campeão, a custo, com decisão na última jornada disputada hoje. Dezanove anos passados volta a ter o melhor marcador do campeonato.
O país está em festa, mas o que ressalva é a violência, mais localizada em Lisboa, entre adeptos sem bilhete impedidos pela polícia de choque de entrarem na Luz para os festejos; no Porto, onde os benfiquistas portuenses foram impedidos de comemorar a vitória; em Braga, onde os simpatizantes do segundo classificado se sentiram enxovalhados pelos benfiquistas locais.
Quis esta vitória pelo meu benfiquismo, mas, sobretudo, porque nestes tempos difíceis o país precisa de um Benfica vencedor. Pela felicidade, pelo ânimo, pela sensação de conquista nestes tempos em que tudo se perde. Tenho dito nestes últimos dias que um Benfica campeão até na bolsa se vai reflectir.

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