Madrugada de sexta-feira, 14 de Maio de 2010 – Leio “O Livro das Almas”. Absolutamente loucos, estes americanos. Só mesmo esses cretinos para imaginarem uma história daquelas (“A Biblioteca da Morte”), com a Inglaterra a dispensar semelhante livraria para protecção, ou para o que quer que fosse, a esses doidivanas, ou a outros quaisquer.
A Inglaterra!...
Madrugada de sábado, 15 de Maio de 2010 – Debaixo da poalha, fiz três saídas para colocar a edição deste mês nas bancas, com boa recompensa nas vendas do número do mês anterior. Em final de dia, a última negociação de uma magnífica secretária em carvalho, em estilo, que me ficará por um terço do seu preço original. Já madrugada dentro, o visionamento de duas horas de um documentário magnífico, “Jean Gabin Intime”.
Há muitas formas de uma pessoa enriquecer e todas elas boas.
Madrugada de segunda-feira, 17 de Maio de 2010 – Em dias quentes de sol, água do meu corpo na vestidura, água do poço nas hortas. Não há meio de fugir! Os rebentos, nascidos e criados, quase todos já, precisam que os dessesdente e a urgência de o fazer é maior do que tudo o resto. Depois de dois sóis estou lá caído sempre, terra dentro; a esta ou àquela hora, mas estou, incessantemente, com mãos que engrossam, ossos que rangem, sempre me fortalecendo enquanto os tons verdes ficam mais fortes, espessados, avolumados. As alfaces estendem-se umas sobre as outras, fazendo apertado manto. O brócolo, ora firme, ora curvado, cobrem-nas, escuros. As ervilhas sobem, já mais compridas que eu. O cebolo firma-se, como que em parada. A meloa e o melão lutam para viver, ainda estreantes, depois do frio dos dias. A abóbora (lá “cabaça”) surpreende aqui, ali, acolá e acoli, pensava eu que não chegariam. O limoeiro reagiu ao fogo, o pau da macieira é agora novelo de flor, a tangerineira rebenta a todas as direcções, a oliveira renasce coberta de pontos verdes.
Dou-lhes tanto de mim, quero que sejam tanto… e quanto do que lhes quero não será da fome dos outros rebentos?
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