Madrugada de terça-feira, 27 de Abril de 2010 – Vergonha no Parlamento! A antiga líder do maior partido da oposição questionada em inquérito parlamentar por um deputado do partido do governo acerca do caso da alegada tentativa do governo de calar o “Jornal Nacional” da jornalista esposa do então director dessa estação televisiva. Calar como? Através da compra do canal através da Portugal Telecom, de quem o Estado detém uma golden share. Depois do negócio concretizado, a jornalista seria afastada esperando-se a demissão do marido.
Durante o denate, um deputado, vindo das insustentáveis “terceiras vias” do socialismo, cujo nome nunca recordo e que se for recordado no futuro será sempre pelas más razões, age como um cão de fila, enquanto que a senhora, coitada, parca de léxico, reafirma veementemente que o primeiro-ministro sabia, que isso se trata de um “facto”, enquanto o deputado rebate, sardónico, afirmando que isso não passa de uma “opinião”.
Os indícios sempre foram mais que muitos, se bem que apenas indícios. Os insiders sabem-no e afirmam-no. O primeiro-ministro e os membros do seu staff negam haver conhecimento acerca das intenções de compra por parte da empresa… conhecimento oficial. A ex-líder da oposição confirma esse conhecimento, porque não seria possível o chefe do governo não o saber. Todos depreendem isso mesmo, ou não saberia o que anda a fazer.
O lodo está de vez instalado. Não interessa que aquele telejornal fosse, em grande medida, “uma vergonha” na opinião de muitos, ou “um estilo” na presunção de poucos. Que até perseguisse o primeiro-ministro. Interessa que já ninguém tem dúvida que esse primeiro-ministro quis calar uma voz incómoda. Esta ideia ficou de vez instalada quando o próprio vem a terreiro defender-se que não tinha conhecimento “oficial” da tentativa de compra, e com o seu administrador indigitado na empresa e escandalosamente pago, sem currículo ou idade que o justificasse, a afrontar, imberbe, a comissão de inquérito parlamentar, negando-se a responder às perguntas dos deputados da oposição.
É “a porca da política” cada vez espojando-se mais rasteiramente, enquanto os seus bácoros se emporcalham numa orgia de mentiras e cinismos à vista de um eleitorado de olhos tapados, ouvidos moucos e quereres diáfanos, e que merece esta pocilga em que todos vivemos.
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