domingo, 4 de setembro de 2011

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Quarta-feira, 2h00m de 24 de Março de 2010 Os Hortos! Há muito devia ter referenciado aqui o meu lugar, mil metros quadrados de terra de cultivo na freguesia vizinha, lá, atrás de tudo, onde me perco e encontro. A referência era há muito necessária, forçosa até porque me sinto obrigado à memória… para que não me apague, no mínimo.
Hoje, aprendi mais umas coisas do livro que é a vizinha, Maria de nome, mas não só, Conceição também, “Maria Parola” chamam-lhe ainda, mas mais esperta que todos eles juntos. E hoje o Livro ensinou-me duas coisas que me parecem fundamentais: “Ensinou-me uma coisa muito grande”, retorqui-lhe ao ensinamento: “Não ponha o cebolo esta semana, que há lua, e espiga”. Pois, espiga, claro está, serão vinte e quatro horas muito luminosas durante uns dias, até que a noite caia de vez no Quarto Minguante. “Porque não mete uns brócolos?”. Sorrio. “Brócolos?”. “Sim, já viu lá em cima? Vá ver, vá ver!”. E lá fui acima, à sua horta das alfaces, da couve tronchuda, das favas, das flores e mais ainda, mas daquilo nada encontrei. Vi o resto, que espreito sempre para aprender e aspirar a mais um pouco, mau grado o escasso tempo disponível para este cometimento. Pouco depois confessei-lhe que não encontrei, por muito que procurasse. “Então não viu, no meio da selada?!”. Afinal vira, aquelas minúsculas folhinhas, a iguais distâncias no meio das alfaces. “Ponha, ponha, depois tira a selada e deixa ficar os brócolos”. Pois, assim tão fácil. “Muito obrigado, Dona Maria. Então devo deixar passar a lua para o cebolo. Que me diz, daqui a quinze dias, na Lua Nova?...”. Sorri satisfeita, percebe que percebi.
Duas coisas fundamentais que deviam, desde logo, me fazer ganhar o dia: o cebolo planta-se na Lua Nova; já os brócolos podem ser feitos em consociação com as alfaces. Fixo isto, mas falta-me tanto mais…
Sim senhor. Esta sexta-feira farei um segundo plantio dessas últimas e o cebolo ficará para a outra sexta, daí a quinze dias. Entretanto, não preciso regar tanto as ervilhas que estou a fazer, pois precisam de menos água; mas, para as alfaces que estão e para as que hão-de vir, tenho de ter mais cuidado com a rega que tem sido parca (também o soube hoje). Entretanto, vou limpando a terra à volta das árvores que plantei e limpando a horta das nabiças, a primeira, aproveitando o terreno já algo enriquecido com adubo orgânico e um pouco do químico.
Pena este trabalho, que tanto me limpa o peito e a alma, não dar dinheiro!

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