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Sábado, 27 de Março de 2010 – A espaços, invadem-me sentimentos de nostalgia. Antes, vinham-me sem que me recordasse da vez anterior, mas já não agora, que vêem em separadas e distintas ondas, às vezes por menos de um dia.
É uma saudade profunda que me aperta o peito, ao centro, fazendo-me sentir o coração em medo. Têm sido cada vez mais fortes e recordam-me, pouco vagamente, creio que a segunda metade dos anos 80, até que, já emparelhado e com os três rebentos, caí do meu pairar conhecendo as razões deste mundo no fundo dos ossos.
Há pouco, foi a recordação dos "Marillion", agora velhos (mas melhores, como o vinho do Porto, sem dúvida; não, não é cliché), que preparam, para hoje mesmo, um concerto “fechado” a apreciadores da banda, em Lousada, onde se encontram numa quinta de turismo rural.
Não busco as razões deste sentir tão fundo que num pesar me parece dizer que “nunca mais”; creio que delas não quero saber, porque o meu espírito já as conhece bem. Eu, apenas não quero aperceber-me delas, que serão muitas e mais ou menos terríveis: a distância daquela felicidade meia adulta, meia imberbe e que já não volta; os filhos cada vez maiores e cada vez mais longe com os seus silêncios impertinentes cada vez mais longos, primeiro de dias, depois de semanas, a rapariga de anos, se preciso for; a entrada na meia-idade (a idade a meio da vida, é o que é) que espero que tenha razão para assim tomar o seu nome; a doença da companheira que nunca me pode acompanhar no passo comprido e estugado de horas sobre montes e vales e… esta secura ao fundo da garganta desde há um ano e que agora me começa a incomodar o engolir e, por vezes, me condiciona a respiração durante o sono nocturno, a conversa mais longa ou o tom mais alto em que tento colocar a voz. Secura cada vez maior, que me agarra o catarro e que, até ao momento, ainda não conheceu olho clínico que a espreite…
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