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Quinta-feira, 11 de Março de 2010 – Inicio a leitura do livro do americano Anthony Beevor, “o Mistério de Olga Tchekova”, uma figura quase mítica das espionagens e contra-espionagens russo-nazis, uma judia posteriormente elevada à condição de heroína da ex-URSS por Estaline. Uma história de artistas, religião, revoluções, guerra e sobrevivência, melhor que qualquer romance do género, porque verdadeira.
Terminei, pois, o “Aldeia: Terra, Gente e Bichos”, de Aquilino, conjunto de histórias horríficas, terrífico livro a mergulhar na terra e nos gentios de antanho. No seu entretanto, sublinho todos os termos constantes e incomuns, busco-os no dicionário e rio-me, rio-me muito… da minha ignorância.
Madrugada de domingo, 14 de Março de 2010 – Assisto à gravação tida em arquivo da nova série documental sobre a II Grande Guerra, vinda com a colecção a trinta volumes que comprei recentemente. Descubro magníficas filmagens inéditas, coevas, obtidas a partir de uma pesquisa de dois anos. Vejo as imagens digitalizadas, melhoradas e, agora, coloridas; ouço os discursos directos dos líderes nazis, os enforcamentos, os fuzilamentos, os soldados estropiados, os corpos desfeitos e dou comigo a benzer-me e a encomendar as suas almas a Deus; também a pedir perdão pelos assassinos.
Sinto que rezaria todos os dias se fosse parte do rugido da batalha. Rezaria fundamentalmente pela minha responsabilidade pelas vidas dos outros, amigos e inimigos, sempre pedindo esclarecimento.
Dia de domingo – Acompanho desde ontem o congresso extraordinário do maior partido da oposição e ouço com atenção os quatro candidatos à presidência. À excepção de um deles, vindo de outro partido também situado na direita do espectro político, nenhum sabe falar. Fracos discursos, pouca riqueza lexical e nenhuma originalidade nas ideias.
Pobres de nós todos, neste tempo que a todos pede soluções. Mas não há ninguém!
Já perto do final do congresso, que não serviu para eleger ninguém, um antigo líder propõe um articulado que proíbe por parte dos militantes a crítica à direcção do partido nos sessenta dias anteriores aos congressos. É aprovado.
Está perdido, este país.
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