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Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2010 – Com a recente catástrofe “natural” na Madeira, seguiram-se as costumeiras solidariedades nacionais que tudo lavam. Mas, perguntamos, para quando o apuramento de responsabilidades?
As fortes chuvadas tudo levaram, gentes e casas da “pérola do Atlântico” onde a besta cresceu (e vai continuar a crescer) ao longo de taludes e ravinas até aos 80% de inclinação (!!). Constrói-se mesmo ao lado do leito de cheia das ribeiras locais (ribeira “Brava”, vinda da serra da “Água”, está-se a ver?...).
As perdas de vidas e de milhares de milhões em prejuízos materiais, que estamos a pagar, não foram fruto do acaso mas, no mínimo, da incúria e negligência dos responsáveis políticos e à iniciativa empresarial dos gananciosos.
No que nos toca, entendemos que quem tem mais responsabilidades naquelas perdas materiais e nas dezenas de vidas humanas destruídas do que todos os outros – e que é de todos conhecido por aparecer muito nas TVs e jornais, se bem que se tenha mantido escondido, tal gato com rabo de fora, nas primeiras horas a seguir ao desastre –, é o grande arquitecto na morte violenta de muitos dos seus conterrâneos.
Quando apareceu, sorria e sorria muitas vezes, mais ainda quando surgiram as câmaras das televisões do “contenente” ou os flashes dos jornais e revistas que cobriam os trabalhos de rescaldo onde se iam ensacando os mortos; sorria enquanto a respectiva boca, viperina, mimoseava os muito públicos microfones dos órgãos de comunicação social a palavrão indecoroso, enquanto era aplaudido pela sua entouráge, mas também pelo seu tal “povo superior” que se fartou se referir, e que tudo lhe permite…
Pedem-nos ajudas para a Madeira. Respondemos que vimos a dar para a Madeira desde 1987, data do primeiro pagamento que fizemos sobre o nosso rendimento ao Estado português, quando ainda se designava por Imposto Profissional. O nível de vida na Madeira é quase duas vezes superior ao do meu verde Minho e não me apetece manter as diatribes dos líderes locais e dos ingleses que a colonizam.
De resto, o Governo central já respondeu e a União Europeia accionou com diligência o fundo de emergência para este tipo de casos. Mas a “onda de solidariedade” já vai enrolando, gorda, a bola de neve solidária… promovida pelas grandes marcas dos centros comerciais! Faz-me lembrar a campanha de recolha de resíduos daquela sociedade (industrial) que anunciava no canal 2 da RTP, até parecendo coisa do Estado – “Valorize o seu lixo”… para eles, a troco de nada para todos os outros.
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