Madrugada de quarta-feira, 23 de Junho de 2010 – A França em choque, eliminada do Mundial com apenas um golo marcado, no jogo de hoje, com os “Bafana Bafana” da África do Sul, equipa anfitriã, com quem perderam por 2-1.
No final, o treinador francês recusou o aperto de mão oferecido por Carlos Alberto Parreira, o brasileiro que guiou os sul-africanos nesta aventura e que acabou por segurar o gaulês firmemente pelo casaco. O mundo inteiro viu o mau perder de Domenèque. A França pede responsabilidades e acusa a equipa de serem os “filhos de segregacionismo”, mal-educados, irresponsáveis e outros que tais. Mas o problema vai bem mais fundo.
Mormente a vitória, a equipa da África do Sul foi eliminada. Não interessa, a alegria daquele país (e de toda a África), continua. Pela primeira vez, em dezasseis anos de pós-apartheid, nacionais brancos e negros festejam juntos. Só o desporto (aquilo que manteve ambos os blocos em contacto durante a Guerra Fria) permite isto!
E a Argentina voltou a ganhar, desta vez à super-defensiva Grécia de Otto Rehagel por 2-0. E aquele Maradona “que, como treinador é um bom jogador”, é a nossa alegria neste Mundial. Até aquaplaning faz frente à cabine da equipa técnica, de fato completo vestido…
Boa surpresa recebi hoje através do jornal de paróquia em que me estreei este mês: honras de primeira página à coluna “As Reflexões de Pater Calvus”. Mas o “bandido” do padre truncou o meu logótipo e assinou o artigo com o meu nome. Cristo bendito!!
Madrugada de quinta-feira, 24 de Junho de 2010 – Chama-se Marta e foi comentadora convidada do programa “À Noite o Mundial”, na RTPN. Sentiu-se ao longo de duas horas a testosterona do jornalista e dos restantes convidados; até do universo blogger que participa todas as noites. Ela, comprida, esticada, empertigada e assertiva, acertou sempre nos seus comentários, contornando o erro, destacando-se na análise. Presumo que de alguma maneira tornou, pelo menos durante aquelas horas, Portugal mais igual nos géneros. Mas nunca porque masculina. Feminina sempre, soube explicar porque não gosta de Carlos Queiroz como treinador, indo de encontro à minha opinião. Bom treinador “de campo”, na organização técnico-táctica, mas sob o chapéu-de-chuva de um velho terrier como Ferguson, que nos seus silêncios consegue ser mais musculado do que Queiroz nos seus discursos.
Quase todas as equipas africanas já ficaram de fora da fase seguinte, a de eliminação. Os Estados unidos, sob o olhar emocionado de Bill Clinton, carimbaram o passaporte já em fase de descontos. A Austrália também já passou. E as inglaterras, as holandas, as itálias e as alemanhas, que toda a gente tem esquecido a favor dos brasis, uruguais e espanhas, à conta dos empatezinhos e das vitórias por um golo de diferença, também já lá estão todas, com certeza para seguirem até, pelo menos, as meias-finais, ou muito perto; para a taça, por fim, ir parar aos mesmos sítios. Meto aqui no meio um Portugal inspirado e a Argentina, que apetece ver jogar todos os dias.
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