sexta-feira, 15 de junho de 2012


Madrugada de segunda-feira, 31 de Maio de 2010 Hoje, pela manhã, encontrei o pai do Tiago, o moço conterrâneo assassinado por linchamento. Conversámos e houve muita comunhão. Espero que não apenas pelo choque que ainda deve estar a viver.
Agora, madrugada dentro, o calor nocturno garante-me dias secos durante a semana. Serão feitos a correr, entre as muitas redacções do noticiário para a revista que fecha a edição na quinta-feira, se tudo correr bem, as questões burocráticas, da casa e da Redacção, para além da pantomina dos directores do Centro Dramático de Viana e a rega das hortas, a prometer-me a manutenção desta forma física que me começou com as refeições a que fiz gazeta na semana anterior à que passou, com a correria dos baldes de água, campo abaixo e acima.
Na mesinha de cabeceira, “O Livro do Pastor”, de Johann Davis e uma biografia de Jack Kerouac aguardam-me, enquanto prossigo a lição da primeira operação militar com pára-quedistas da história. E a meio disto tudo…
Em dia de ida ao cinema, lá comprei o meu primeiro livro de Teologia. Do então Cardeal Joseph Ratzinger, actual Papa Bento XVI, uma interpretação – “Jesus de Nazaré” – cuja leitura iniciei quase na hora de aquisição.
Esta será sempre uma leitura feita com esforço. Porque tal como sempre me pareceu todos estes anos, este tipo de linguagem é sempre encriptada, caindo sucessivamente no campo dogmático. No entanto, logo às primeiras páginas consigo receber algo das conclusões que, ao longo destes anos tenho, intuitivamente, conseguido retirar. No caso do texto já lido, as notórias dificuldades da igreja Católica impor o seu Cristo divínico, desde logo quando o método histórico-crítico, científico, portanto, em si mesmo não consegue construir, em oposição à teologia da fé que mais não pode do que dimensionar um arquétipo estruturado no dogma, isto é, “na força de acreditar”.
Pergunta-se: dada a preponderância que o método ganhou na mente do vulgo especialmente a partir da década de 50, tem vindo esta força a ser suficiente na explicação da figura de Jesus Cristo, em toda a sua amplitude, como suporte do pensamento cristão e, outrossim, da religião cristã?
E daqui que ubiquidade se evidencia nesta triangulação lógica? – Razão/Fé?; a Fé da Razão?; ou a Razão de Fé?
Ficam-nos as questões, mas sem nunca esquecer, também, que ter fé é ser forte, uma vez que a dúvida, alicerce do método, restringe a energia; por isso, acreditar é poder (que o digam os desportistas em competição ou os militares em combate).
E aqui reside verdadeiramente a razão da fé, e o mistério desta última.

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