sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012



Fim-de-semana de 24 e 25 de Abril de 2010 No início do dia que comemora a Liberdade, uma chuva morrinhenta cai esbatendo as cores que se queriam vibrantes do fogo-de-artifício. Tem sido sempre assim nos últimos anos, um quadro paradigmático daquilo que as coisas se tornaram depois dos últimos fogachos, havidos no período pós-revolucionário e de que a Constituição de 82 foi a formalização em magna carta do fim daquilo que nunca poderia ter sido.
Aquela revolução estava condenada à partida. Todo o ideário que tentou colocar em prática já tinha sido atropelado vinte anos antes nos Estados Unidos da América, quarenta anos antes na antiga União Soviética estalinista, sessenta anos atrás quando Lenine quando de revolucionário se tornou num homem de Estado.
Quando neste país aconteceu, só duas franjas da sociedade verdadeiramente quiseram saber: os proletários agrícolas do Alentejo, os operários da grande indústria da margem sul do Tejo e os jovens licenciados e bacharelados que perceberam que, não sendo aristocracia ou herdeiros do grande capital, aí viram o único caminho possível para uma verdadeira ascensão social. A sempriterna questão do poder, portanto. E claro, os jovens militares que não queriam morrer e matar no ultramar.
Esta revolução tinha uma morte anunciada e se com ela umas alforrias surgiram, outros afogos logo substituíram as asfixias de antigamente.
Que liberdade tem quem se submergiu em empréstimos a 40 anos, se encontra preso, para todo o sempre à prestação da casa, do automóvel, do empréstimo para as férias e até para as prendas de Natal? A que nível de autonomia se pode aspirar quando não há educação, justiça ou protecção social? Quando os cursos gerais não ensinam, os tecnológicos não fazem saber e o ensino superior se paga a peso de ouro, daí se saindo sem se saber escrever?
A que liberdade pode almejar o cidadão trabalhador de um país quando não tem emprego onde o possa ser e a insegurança seja sua companhia de todos os dias não sabendo, sequer, se virá a ter uma reforma garantida por um Estado que o faz desaparecer dos censos do desemprego logo que perde direito ao respectivo subsídio?

Hoje chove na praça das comemorações, a que este ano assisto ao longe e alegro-me, pelas minhas alfaces.

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