sábado, 15 de outubro de 2011


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Feriado da Páscoa, segunda-feira, 5 de Abril de 2010 Depois do Natal que o não foi verdadeiramente, na realidade pela primeira vez apesar dos outros bem tristes que o antecederam, agora, uma não-Páscoa, acompanhada de coisa nenhuma.
Terei tempo para voltar a isto, mas não agora. Apenas o registo porque tão importante como aquilo que passa e que é o que não passa devendo passar.

 
Madrugada (sempre) de quarta-feira, 7 de Abril de 2010 Ontem o término da lição Ian Fleming; logo outro volume desvirgo: “Terra”, no título original do geólogo britânico Richard Hamblyn.
Do primeiro fica-me muito: a experiência aventurosa, “verdadeira”, corporizada em letra de forma do mundo feio, ignóbil e necessário das tensões políticas que transmutam a natureza idealmente boa do Homem, em que continuo a acreditar; a assaz mordacidade como moratória das fraquezas humanas; a atitude boccaciana num quase não te rales que nos abre o devaneio perante as complexidades da vida…
Outras análises também me seriam possíveis, mas infindáveis. Por isso uma menção à escrita óbvia de um aristocrata que não deixa de tudo engavetar, bem arrumadinho, na observação fleumática tão britânica, quer se refira a raças, a costumes, a culturas, hábitos, usos e práticas, com uma frieza nada indiferente, apresentando sem qualquer dúvida tipologias, o que será, hoje em dia, pouco aceitável.
Durante as leituras dos quatro volumes em questão, nunca deixei de pensar no primeiro Tintim, de Hergé, cuja aventura passada na Rússia foi completamente obliterada pela intelectualidade europeia do séc. XX, porque politicamente incorrecta à luz das ideologias de esquerda da época e que dominaram a intelectualidade. Felizmente, a obra foi recuperada e bem, digo-o também. Afinal, era tudo verdade.
Nunca, tanto como hoje, a marcação de diferenças foi tão importante, de resto como o preconceito. É ele que nos orienta na vida. Polícia bom, ladrão mau, é óbvio, tão simples como isto - E como andaríamos nesta vida se o não soubéssemos? Não foi o conhecimento a priori que determinou a esfericidade da Terra pelos primeiros sábios gregos?
Contudo, digo-o eu, foi neste esbatimento das diferenças – das raças, por exemplo, assim como aquele dos ritos de passagem –, que o desnorte das sociedades modernas se instalou abrindo caminho às hordas de jovens que, agora, procuram vincar cada vez mais as diferenças com arremedos de heranças de natureza tribal, onde profusamente se instalam piercings, tatuagens, cortes de cabelo escaganifobéticos, como diríamos em miúdos, numa espécie de caminho inevitável da nossa própria existência: procurar saber quem somos!

E depois de Fleming, “Terra”, com os capítulos correspondentes aos “quatro elementos: A Terra, o Ar, o Fogo e a Água. O primeiro, o terramoto de Lisboa de 1755. Porque raciocino a ler e a escrever, sempre voltarei a esta postila que hoje escrevo (o meu dia é feito entre as 12 e as 4 horas) mas, por agora, nota à confirmação de uma Lisboa pré-terramoto dobrada ao poder dos padres inquisitoriais, mas não só, de multidões raivosas, risonhas e ululantes face aos autos-de-fé, numa Lisboa faustosa, mas miserável. Já não tenho qualquer dúvida, pena é que tenham sido os autores anglo-saxónicos quem me revelou a terrífica verdade.
(mal)Bendito Marquês de Pombal!

Não será isto o mais interessante deste livro que agora afagarei entre mãos e dedos nos próximos dias. Outra coisa será, sinto-o no peito e abdómen, agita-me mãos e braços…

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