sábado, 22 de outubro de 2011


Madrugada (idem) de quinta-feira, 8 de Abril de 2010 Não me contenho e, a algumas páginas lidas, que não são as meia-dúzia que há pouco referia em conversa conjugal, mas já 44, rendo-me às evidências postas a nu por Saramago e muitos autores estrangeiros, acerca da Lisboa pré-terramoto e o seu povo. Algo que cheguei até a detectar em páginas de obras da Fina d’Armada e muito bem descrito no livro de Peter Prince, “Adam, O Espertalhão (do inglês original, “Adam Runaway”) – se bem que mantendo alguma distância porque desconfio sempre dos autores ingleses no que toca às suas peculiares opiniões sobre os povos não britânicos – e que evidencia a vida de luxo e opulência desmesurada da capital setecentista portuguesa.
Mas não é isso o que mais me impressiona. É a sujeição alarve e irracional aos poderes inquisitoriais, sujeição sempre autorizada, por inerência, e que alienava este povéu de Deus transformado em armada de mesquinhos demónios perante todos os outros, perante si próprios. Até descrições encontrei sobre como os lisboetas procuravam, entre abalos sísmicos, salvar as estátuas do Santo António de Lisboa antes mesmo de tentarem salvar os próprios filhos. Aqueles mesmos cidadãos que enchiam o Terreiro do Paço, em festa, para assistirem aos autos-de-fé.
Deus escreve mesmo direito, por linhas tortas. A um de Novembro de 1755, pelas 9h40 da manhã, dá-se o primeiro sismo de três, quando mais de meia Lisboa se encontra no interior das igrejas e capelas, esperando a tarde para a queima dos hereges. Intencional ou não, há sempre uma mensagem subjacente a este pormenor. Não sei se será exagerado chamar àquela Lisboa fanática e perdulária, uma Sodoma, ou Gomorra, dos tempos modernos e, como tal, castigada. Se calhar, o próprio tsunami de há poucos anos que varreu parte da Insulíndia não deixará de ter a ver com a própria região, que entre outras actividades é uma das zonas mundiais de maior turismo sexual, famosa também pela profusão de pedofilia…
Enfim, divago, bem sei.

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