sábado, 8 de outubro de 2011


Quinta-feira, 1 de Abril de 2010 No dia das mentiras, quinta-feira dita “de cinzas”. Mentira, mesmo, porque poucos se lembram ou importam, um pouco à medida da moral sexual da igreja, ou os já findados discursos de várias horas de Fidel de Castro ao seu povo adormecido.
Neste tempo Pascal, mais próximo me sinto da profunda compunção pela prisão e sanguinário assassínio de Jesus de Cristo, do que da alegria na sua ressurreição. Não é o que quero, mas é o que aqueles que me estão mais próximo do coração me trazem. Pelos actos sim, mas sobretudo pelas omissões, piores que qualquer acção directa e inequívoca com que me pudessem alguma vez ter agastado.

Entretanto, renovo a leitura na continuidade do imaginário das aventuras de 007. Já com alguma nostalgia, termino os contos do “Quantum Of Solace” e pego no último livro da colecção, ”Vive e Deixa Morrer”, cujo título parece fazer-me um discurso directo: segue a tua vida e deixa estar o que não pode ou não quer ser movido. É! De facto, sempre que os tento puxar mais parecem enterrar-se no lodo, como que me obrigando ao esforço enquanto mais se atolam. Nesta luta sem tréguas, esmoreço perante todo o quebranto a que presencio; parecem não perceber da lama que não os deixa respirar, enquanto quase sorriem no estertor do afogamento. Não sei se já desisti, se bem que ainda me revolte; não sei o que serei quando deixar de os ver, definitivamente afundados.


Sábado, 3 de Abril de 2010 Depois de uma tarde inteira de trabalho na Redacção, a montar a edição deste mês da revista, à noite vejo uma (pretensa) versão cinematográfica da Lenda da Excalibur, de um tipo qualquer que, diz a sinopse é “uma impressionante e espectacular versão ‘em Excalibur’, realizada pelo visionário John Boorman”. Não poderá haver maior ridículo acerca da, com certeza, mais bela das lendas medievais. Impressionante, é como os americanos conseguem estragar tudo. Impressionante, de facto!

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