Madrugada de quinta-feira, 10 de Junho de 2010 – Passam os dias sem que me saia um cêntimo do bolso. Quer dizer, para café, lanches, jornais, bebidas, cinema e afins.
No que toca ao tabaco, reduzi o fumo para quase metade do que já foi e compro em Espanha, o que me faz ficar o preço uns furos bem abaixo do que gastaria a comprar no comércio nacional; sobre isso, o facto de fumar mais de metade dos cigarros enrolados à mão. O que fumo em quatro dias custa-me três euros e meio; seriam quase oito se fumasse português e quase quinze se ainda fumasse o que já fumei.
As bebidas acabaram há muito, desde que me votei a abstémio.
Jornais, tenho todos os que quero; das permutas e onde estão, que é em todo o lado.
Lanches, faço-os em casa, na Redacção ou no campo, recusando-me a entregar esse dinheiro a outros.
Cinema, já quase só quando o rei faz anos; o bilhete está obscenamente caro e tenho muitas gravações à minha espera no “Meo”.
Enfim, com o que já poupei nisso nestes dois, três anos, engordei a carteira de acções, fiz um PPR, nunca tive tanto numerário no cofre e tenho feito todas as benfeitorias e compras de material e equipamento para os Hortos; também reequipei a Redacção de material informático e meti móveis novos. Já penso novamente em férias
mas…
neste momento, neste país, em cada quatro cheques que são passados, três não tem cobertura.
Ando sempre ao contrário. No tempo que este país (pensava que) tinha dinheiro, eu não sabia onde estava o meu. Agora encontrei-o.
Noite – Dia de Portugal (!), pois…. Hoje pagámos a prestação da dívida soberana a uma taxa de juro superior à da Grécia. Em 1872, o Eça escrevia:
“Nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma decadência de espírito.
Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país caótico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa da Europa – citam-se, a par, a Grécia e Portugal.”
, texto depois reunido n”Uma Campanha Alegre”.
Fica-me das comemorações deste ano a entrada em parada dos Antigos Combatentes, pela primeira vez em democracia. Desta ainda tão imberbe, por aqui se vê.
Por fim, porque não apetece escrever. A. retirou-se do “retiro”, quem diria?... Mas, talvez, de todos só eu me surpreenda, quis acreditar noutra coisa. A sua mãe, conivente com estas irresponsabilidades, como sempre, tão fraca como ele ou ainda mais.
Temo que fraquejem até ao fim.
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