segunda-feira, 28 de novembro de 2011



Sábado, madrugada (pois) de 17 de Abril de 2010 Mais um dia na cidade a distribuir o corpo do trabalho, esquivando-me à chuva. Distribuo o meu labor e palavra escrita em revista com “Linchado – Tudo!”, que causa sensação onde o deixo. Falo com toda a gente, mais que o costume. Depois de a poeira assentar sobre a morte por linchamento do jovem alegadamente chefe do gang local, neste não se resolve, as pessoas tornam-se mais opinativas e, na ausência de atitude própria, pedem ao jornalista que force a mão, que ataque na acção que ainda não tiveram. Um destes, revendedor da revista à..., que já sofreu diversos assaltos com portas arrombadas pela calada da noite, queixa-se-me do grupo misto de sem-abrigo e pequenos delinquentes que, expulsos pela operação da PSP do largo Vasco da Gama na quinta-feira da semana anterior, naquela hora se acoitam nos bancos de pedra sob o resguardo do edifício do antigo hospital da Misericórdia. Ensaio conversa de circunstância, com os leitores dos jornais expostos nos escaparates do quiosque e não arredam pé. Outros chegam e ficam, ouvintes. Da conversa mole passo a considerações sérias. Digo-lhe que tem de tratar aquele espaço sobranceiro à sua porta como que do seu quintal se tratasse. Que aquilo é dele e que, assim, tem é se comportar como tal; que não pode abrir a porta, pela manhãzinha, ou fechá-la ao fim da tarde, encolhido junto à parede, fingindo que não os vê, evitando a aproximação ao grupelho, seja este constituído por quem ou quantos for. Que tem de os encarar directamente nos olhos desse modo afirmando que está ali, que os vê, dando a entender que se algo acontecer ao que é dele saberá quem é que por ali rondou. Nunca sorrir, nunca resguardar-se, fitá-los na certeza de ser quem é, quem pagou, com os seus impostos, a pedra que forra o chão daquela praça. Quer-se encolher ao meu discurso, não o faz por decoro, a esposa assenta que sim com a cabeça à minha razão, com sangue a afluir-lhe nas carótidas. Tenho razão. A malta que finge ler os jornais anui às minhas palavras que saem em tom elevado, fazendo todos ouvi-las, grupelho incluído. Despeço-me na minha pressa dizendo, uma vez mais, que vou passar junto aos tipos porque, eu, não lhes dou o meu espaço da rua e faço questão que saibam disso mesmo. Atrás de mim os leitores dos títulos em escaparate permanecem quietos, muitos observando-me.

No meio da leitura de “Terra”, de que hoje fiz gazeta, inicio a leitura do segundo livro (“Hitler em Paris”) da colecção sobre a II Guerra Mundial, a vários volumes, editados pela inglesa Osprey Publishing. Este volume é da autoria de Alan Shepperd e com ilustrações de Terry Hadler. A distribuição da obra está a cargo de distribuidora portuguesa. Recebi hoje a encomenda com os volumes II e III, depois de ter lido o I comprado num quiosque em Valença do Minho, na distribuição da revista de há dois meses. Li esse em dois dias. Este, vou mastigá-lo mais um pouco.

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