Domingo (mesma mentira porque já madrugada do dia seguinte) de 18 de Abril de 2010 – Hortos de tarde porque sempre que posso. Plantio de alfaces a aproveitar a terra tratada que sobrou do cebolo, o qual parece ter pegado bem. As mais antigas estão lindas e as couves de brócolos quase triplicaram de tamanho nestes últimos dias chuva. Muito compensador; e que não me falte a água.
Ainda sachar e mondar as hortas e a terra em torno das árvores, enquanto que, com a simplicidade dos néscios (claro que não!), vou falando com os vegetais. Nunca esquecerei as roseiras da minha moradia do Porto, quando da licenciatura, que secavam as flores quando vinha para Viana e floriam esplendidamente poucos dias após o meu regresso, facto que constava na vizinhança.
Na quietude das boas horas passadas nos Hortos, sob os protestos dos melros e a curiosidade – que, creio, já afectiva –, do pisco do costume, tanta reflexão sobre as coisas do mundo, porque lá é fácil pensar e o tempo que aí me passa esvaí-se sem que dê por isso, sendo sempre suficiente.
Na salvação deste trabalho de Deus, o pensamento refugia-se no choro do Papa quando se encontra as vítimas da pedofilia dos padres católicos, enquanto se desloca à Malta de S. Paulo; reflicto neste Vaticano há meses sob ataque e na grande Bíblia que namoro há uns anos na livraria do Centro Católico e que gostaria de adquirir.
Tanta coisa para fazer e tão pouco tempo. Nos Hortos o reencontro do meu equilíbrio, a consciência do que de mim é verdadeiro; e neste ficheiro Word o que pode me importa nos acontecidos do mundo. Contudo, sempre a dúvida acerca da correlação destes com aqueles todos que correm e, depois, a procura da razão autêntica. É o que me impele para os Hortos, se bem que sempre temendo que de fuga se trate. Mas creio que não no mau entendimento da expressão, pelo menos.
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