sexta-feira, 11 de novembro de 2011



Quarta-feira, 14 de Abril de 2010 Hoje quase de certeza que me ruiu um projecto – de há pouco tempo, é verdade, inesperado, com certeza – mas que há muito desejava ver concretizado e, sem dúvida alguma, possível. No entanto, o xadrez da coisa alterou, no fundo devido a inerências das condicionantes circunstanciais que não poderiam deixar de ser esperáveis, bem entendido… e a coisa não deverá acontecer.
Seria expectável nisto, que a desilusão me invadisse, sorumbática, inexorável… mas não! Mantenho os mesmos níveis de animação, para além de uma sensação de alívio saudável, até porque o cometimento era-o (e é-o) verdadeiramente, nos seus comprometimentos financeiros, na formação necessária, na dedicação à coisa em si, et caetera, passível de tudo e mais alguma coisa exaurir. Enfim, talvez aconteça no futuro mais próximo, ou menos; não interessa, absolutamente.
Mas enfim…
Entretanto, terei de continuar aquilo a que o projecto se destinava sem elementos mecânicos, fazendo-o manualmente, nos dias em que o puder, atrasando irrevogavelmente as metas a que me tenho imposto, porque sempre muito exigente para comigo próprio.
Sobre o volume de trabalho que se mantém elevado, a indisponibilidade total de tempo que seria requerida, o labor em si transformado em dores físicas sempre perseguindo o vento que nunca alcançarei, só uma expressão: ainda bem!
Perguntar-me-ia do porquê deste ardor de felicidade que me permanece, quando o tempo me começa a escapar nesta corrente de vida que é a minha, colocando seriamente em causa a possibilidade de não conseguir o cumprimento do quase tudo a que almejo. A resposta afinal é simples: é que nessa falta de tempo, cada vez maior que sinto, todo aquele que me resta é cada vez mais importante para mim e o meu único medo lógico seria a não maximização desse tempo que ainda existe.
Neste virar da vida, porque estou a atingir metade dela (Deus queira que não menos do que isso), olho o futuro, o próximo e o mais longínquo, com uma ânsia de vida que me faz sentir a felicidade e a esperança próprias das crianças e dos simples. Só de o conseguir, transbordo de agradecimento pelo dom da Vida!

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