Madrugada de sábado, 14 de Agosto de 2010 – Fim de época nos Hortos. Ficam algumas nabiças, depois das de hoje definitivamente arrancadas pelo nabo muito lenhoso e que deram aquela e respectivo grelo nos últimos meses; outras poucas ficaram, a trazer antes do cumprimento deste Año Xacobeo. As poucas couves que sobram e as abóboras, que teimam em romper, ficarão aos cuidados próximos da velosa vizinha que visitei hoje.
Deu-me ao conhecimento que o combate ao fogo desta terça-feira foi-o pela mão do povo que acudiu. Depois, duas bombardas do helicóptero resolveram a questão e os bombeiros fizeram o rescaldo. Brava gente!
Hoje termino o “Homens, Espadas e Tomates”, de Rainer Daehnhardt, o alemão feito português pelo amor. As últimas páginas fi-las render estes últimos dias de trabalho, para que ficassem mais tempo. Apaixonante a toda a sua altura e letras, essas. As armas e a coragem dos homens; dos homens que somos herdeiros; fez-me reviver uma certa forma de leitura romanesca da adolescência. Por isso gostei mais, ainda por tratar de armas, tema que só posso apreciar tanto como de abominar a guerra.
Pena mesmo, é que este tipo de edições temáticas esteja sempre de alguma forma ligada a um determinado tipo de pessoal saudosista do tempo da outra senhora e que, sem dever, não consegue evitar meter Deus no meio destas coisas da nacionalidade e do patriotismo, o que é mesmo um castigo.
Madrugada de segunda-feira, 16 de Agosto de 2010 – “Jogos de Infidelidade”, no original “Trust The Man”. Americano, como todos, explora a relação de dois casais amigos. Não sei se pretenderá ser um postal da realidade, ou uma hiperbolização mas, ainda que se tenha querido que fosse esta última, continuo a dizer que estes filmes americanos são a concretização do pudor; mais: nestas fitas tão “ninetis”, ou de início de milénio, encontro uma similitude de tal forma nítida com os caracteres dos anos cinquenta do século passado, que até me espanto. Claro que há inversões evidentes, como o facto daquela trabalhar e o companheiro ficar por casa, mas é apenas isso mesmo – inversão. O resto é o mesmo.
Dantes não se chegava ao sexo. Agora, chega-se, mas depois não se concretiza. Na razão de ambas as situações, o mesmo preconceito.
E se o final não é estapafúrdio ou brutal, é ainda mais romanesco que então.
Tudo anda para trás.
(Admiro esta gente, são magníficos actores. Gostaria de os ver fazer de outra maneira)
Pela primeira vez não reguei, achando que devia ir. Amanhã darei o dobro. Preparo os diazinhos de férias. Não digo que não fui e cumpro o Año Xacobeo.
Madrugada de terça-feira, 17 de Agosto de 2010 – Já voga o espírito Xacobeo, hoje já tornado na geminação com Hendaye que está perto da ocupação total para o ano que vem. A volta pela Net aguçou vontades e já se fazem contas para o ano seguinte. Julho já dá pouca escolha de camas e será assunto para o retorno de Santiago onde já nos vemos.
Ultimam-se trabalhos para a próxima edição, e arrancam-se pelo nabo duro as últimas nabiças da época. Com a rega das abóboras garantidas pela vizinha, passa-se o terreno a herbicida que a primeira molha resultou mal.
É preciso não esquecer nada, por isso calma em vez de fervilha, selecção nos procedimentos e artigos de viagem, horários vistos atempadamente e apenas levar as leituras necessárias, porque na volta virão também, junto dos souvenirs.
É preciso viajar, dos comentários dos outros não se vive, se bem que se aprenda melhor. Irei e serei, depois, professor.
Madrugada de sexta-feira, 20 de Agosto de 2010 – É viagem… de férias. Estou mais cansado do que a trabalhar. Palavras (escritas) para quê? Mesmo essas, que não deviam ser, se não estão aqui, estão do outro lado!...
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