Quarta-feira (ibidem) de 21 de Abril de 2010 – No meio de tempos ruins ainda há dias muito maus pelo meio, como que para não esquecer. A chuva não permitiu a ida aos Hortos… para depois parar de chover e deixar tudo num limbo onde não nos conseguimos agarrar a nada.
Da jorna ficaram as contas anuais de 2009, ainda enviadas ao contabilista, uma visita ao banco e a tarde a recuperar o visionamento de gravações no Meo, sobretudo episódios antigos e programas do canal “História”. Mas, ainda assim, um dia de férias maldito.
Em dia com os empréstimos bancários a dez anos nos 5% de juros para Portugal e 8% para a Grécia – a que arrasta toda a economia europeia, assim assegurando da sua fragilidade –, a certeza da guerra contra os mais pobres, esmifrados pelos FMIs e quejandos, depois da vertigem da ideia de riqueza. O problema já era referido pelo Eça que gozava os remediados obrigados à despesa da casaca, luvas e cartola sem terem posses para isso. Assim nos vemos nós gregos também – ganha-se também a estreia das leituras de “Jogo Duplo” de David Ignatius e “Rommel: Primeiro Movimento”, de Jon Latimer com ilustrações de Jim Laurier. Este último, o segundo volume da colecção da II Guerra que fará o meu deleite nestas madrugadas de insónia ao longo dos próximos meses; o outro, presumo que mais um romance bem escrito e bem documentado a fazer a apologia do imperialismo americano, muito na senda da tradição do “Readers Digest”, mas de uma forma ainda mais inteligente. O inimigo é o de sempre, depois da queda do muro de Berlim, os regimes do Médio Oriente, neste caso o Irão. Presumo que seja mais ou menos isso que me espera, acompanhado de uma narrativa bem engendrada mas onde essa tomará todo o lugar da literatura propriamente dita. Os americanos nunca produzirão um escritor português.
E porque é o mais importante:
Manhã acordada quando me tocou à campainha arrancando-me do sono. Cumpriu a palavra, veio despedir-se para ir a (...), em princípio de seis meses a um ano. Mormente quase não termos estado juntos no último meio ano, exceptuando 0 fim de tarde e a noite de ontem, em que jantou cá em casa, a sua presença já me faz muita falta. Não me larga uma sensação de sobressalto a par daquela de vazio. Pareceu-me confiante, concentrado Fiz o possível por reforçar. Pareceu ter um esboço de estratégia. Arredia do óbvio, desencalacrada mas, outrossim, pensada. Pena que à última tenha quebrado a principal linha de orientação que o norteava, um possível mau prenúncio mas que, espero-o, afinal não importe. Na minha estremunhada saudação senti-o bebê-la em largo sorvo.
Que seja desta!
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