sábado, 7 de maio de 2011

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Madrugada de quarta-feira, 9 de Setembro de 2009 – Vimos no Teatro Sá de Miranda catorze documentários acerca de emigrantes, em Viana, realizados por alunos do 12.º Ano em colaboração com a associação para o audiovisual cá da urbe. Uma brilhante iniciativa formativa desta associação, que acontece depois de muitas outras anteriores acontecidas, especialmente nos últimos anos. Ao longo de três horas, para um teatro pleno de espectadores, uma mostra dividida em duas partes separadas por intervalo para café e chichi.
A primeira, traduzindo aventuras de algum sucesso, com gente miúda e graúda, vindos sobretudo dos países de Leste. Muita emoção, sem dúvida, quando se vê a jovem, insegura, saudosa e bela moldava, apoiada pelos seus professores e colegas, a perpetuar a tradição local, integrando, inclusivamente, um rancho folclórico; as notas escolares acima do valor quinze; as saudades ainda presentes mas já um pouco sobre as costas.
Segunda parte diferente, dura, no insucesso mal disfarçado, no desemprego, no abandono, na ilegalidade no trabalho, assim como na coragem de o revelar com a face dada ao ecrã (fi-lo notar, já no final, ao presidente da associação, que só o pareceu descobrir aí); mas também o desalento que nem as intenções académicas do jovem insular, tropical, escuro, que lava a sua roupa nas máquinas de moeda, conseguem evadir da triste realidade vivida à borda do rio Lima que contempla.
“O caminho é para se seguir… até se chegar a algum lado”, diz.
E disse tudo o que havia para dizer.

Da reflexão no momento e à posteriori, duas conclusões pouco felizes: Primeiro, que este Norte de Portugal acolhe muito melhor o novel branco de Leste que o quinhentista africano negro, apenas escuro que seja; segundo, e, sobretudo: felizes os que podem ficar em casa!
Por mais que alguém possa dizer o contrário, só sai do lugar donde nasceu quem, por estes ou aqueles motivos, não conseguiu lá ficar.

Último pensamento escrito do dia: “Diferentes de todos os outros, claro está, senão não seríamos todos iguais”.

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