Meadela, quarta-feira, 11 de Março de 2009 – Cinco anos passaram sobre os atentados do 11 de Março de 2004 em Espanha e ninguém se lembrou, uma trágica data onde a direita política espanhola falhou clamorosamente, enquanto, de facto, a maioria silenciosa provou que o é mesmo.
Nos telejornais portugueses imperam os “Magalhães” com erros gramaticais a eito. Foram distribuídos nas escolas assim mesmo, quase ninguém deu por esses e os poucos que o fizeram só deram conta quando era tarde de mais. Não tiveram coragem de falar mais cedo, é o que é. Perpetua-se a persistente coragem dos ignorantes ante a recorrente cobardia dos sapientes.
Meadela, quinta-feira, 12 de Março de 2009 – Respondo a emails. Disse-lhe que devia ser exigente consigo própria porque tinha esse direito. Mas que não o fosse com os outros, porque não o tem. Tem vinte e poucos, mas fala como alguém de sessenta do tempo de quando eu tinha dez. Tem muita missa, que procura na TV ao domingo de manhã (diz que é perigoso ir à rua), mas falta-lhe a Filosofia e a Ciência. Também a História. É de Literaturas…
Viana-Porto, sexta-feira, 13 de Março de 2009 – Vejo jovens estudantes
muito novas e pedantes a subir para o autocarro, usando óculos de sol ao estilo da Paris Hilton. À Paris Hilton! A subirem para o autocarro!
E nisto recordo as tentativas de conversa com a alma paterna, vãs, apesar da mútua tentativa, quero acreditar. O problema é que nunca conseguiu ler o Proust, desistiu de o fazer, enquanto eu continuo a tentar.
Meadela, sábado, 14 de Março de 2009 – Continua a surpreender-me o número de pessoas que não vê problema algum em fazer uso de escovas de dentes de outros. Por mais cuidados que tenham em lavar os seus, não posso deixar de pensar que não têm, de facto, verdadeira noção do que é a higiene pessoal.
Meadela, domingo, 15 de Março de 2009 – Sobre o amar ou não amar, pergunto-me acerca do que fazer se não relativamente àqueles com quem estamos. Ilusão desiludida após desiludida ilusão, volto a iludir-me.
Num programa diário a anteceder o jornal da noite, num canal de TV, na rubrica “Se eu mandasse”, diz um distribuidor, vinte e qualquer coisa anos: - “Se eu mandasse? Juntava Portugal e Espanha!”.
Não, não será um novo Filipe II ou os novos aristocratas que vão, de vez, entregar este país às Espanhas, novamente, como profetizava o Torga. Vai ser o Povo que ele tanto amava, porque cada vez mais abúlico e inculto, como ele descrevia.
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